Sandy e Junior Após 12 anos na Alemanha, fã volta ao Recife para show de Sandy e Junior

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 12/07/2019 09:50 Atualizado em: 12/07/2019 12:13

O pernambucano Elcio Lima, de 29 anos, vive na Alemanha desde 2007. Foto: Bruna Costa/DP
O pernambucano Elcio Lima, de 29 anos, vive na Alemanha desde 2007. Foto: Bruna Costa/DP
O pernambucano Elcio Lima, de 29 anos, vive na Alemanha desde 2007. Trabalha no ramo da hotelaria em Frankfurt, a quinta maior cidade do país. Na noite da segunda-feira, voltou ao Recife movido pelo show de Sandy e Junior. “É uma loucura que fiz. Foram 14 horas de voo, além dos valores de ingressos e passagens. Mas tenho que assistir o show do Recife, pois, além de ser a estreia, quero acompanhar esse momento na minha terra, com meus amigos de fã-clube da época”, conta.

Elcio começou a acompanhar a dupla aos 7 anos, após ouvir a coletânea Millennium (1998). Como um bom fã de ídolos teens, passou a ser colecionador de discos, fitas VHS e pôsteres. Na década de 2000, fundou um fã-clube chamado Só Tem Sandy e Junior, que tinha cerca de 500 membros, de acordo com ele. “Os integrantes tinham que pagar uma taxa, participar de encontros e acompanhar alguns shows. Eu fui para vários, em várias regiões”. Por ser presidente do grupo, Elcio foi personagem de uma reportagem do Diario sobre a despedida da dupla, publicada em 24 de agosto de 2007.

Elcio Lima e Rodrigo Henrique, em foto para reportagem do Diario de Pernambuco em 2007. Foto:  Juliana Leitao/DP
Elcio Lima e Rodrigo Henrique, em foto para reportagem do Diario de Pernambuco em 2007. Foto: Juliana Leitao/DP
“A ficha ainda não caiu. Está dando até nó na garganta só de pensar no show”, afirma. “Não posso dizer que foi Sandy e Junior que me levaram à Europa, mas eles ajudaram. Foi através da dupla que conheci o amigo que me ajudou a chegar até lá. Ele também era muito fã e vice-presidente do clube. Para mim, eles significam muito. E, com essa volta, estão mexendo com a vida de todo mundo que foi fã ou admirador.”

NOSTALGIA
Mas, afinal, o que explicaria a êxtase causada pela turnê de retorno? O ramo do marketing atualmente estuda uma tendência de comportamento e consumo chamada de “newstalgia”. Diz respeito a fenômenos culturais ocorridos antes do “boom” digital e que mexem muito com gerações específicas, tendo força nas mídias digitais. A pesquisadora e professora da Unisinos Adriana Amaral, membro da Rede de Pesquisa em Estudo de Fãs, explica que esse furor é intrinsecamente ligado ao fator nostálgico.

Coleção de Carla Tosta, que viralizou nas redes neste ano. Foto: Arquivo Pessoal
Coleção de Carla Tosta, que viralizou nas redes neste ano. Foto: Arquivo Pessoal
“A cultura pop opera em um paralelo com a nostalgia o tempo todo, pois é voltada aos jovens das épocas. Cada geração tem um ídolo. Há o envelhecimento dessas pessoas e, junto com isso, um acesso econômico ao consumo que não havia antes. Eles estão trabalhando, não dependem dos pais e podem comprar os shows e produtos”, explica Adriana, que é pós-doutora pela University of Surrey, no Reino Unido. “Essa nostalgia opera sendo alvo subjetivo, relacionado à identidade, e tem um lado até conservador, pois pessoas querem ver as mesmas coisa que elas já viam, sem novidades.”

Além disso, as redes sociais acabam facilitando o acesso a clipes, álbuns, shows. Novas gerações conhecem, e a demanda por shows surge. “Esse apelo nostálgico está em alta no entretenimento digital em geral, basta ver produções como Stranger things, da Netflix. Elas evocam um tempo imaginativo, que não é real. Alguns pesquisadores dizem que os ciclos nostálgicos têm uma duração de 20 anos para ocorrer. Podemos notar tendências dos anos 1990 retornando hoje, principalmente na moda dos jovens millennials”, finaliza.

Relembre sucessos da dupla:







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