Parada da Diversidade de Nova York terá apresentações de Madonna e Cindy Lauper

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 25/06/2019 11:41 Atualizado em:

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
Em junho de 1969, seis noites de protestos em Nova York marcaram o início da revolta LGBTQ de Stonewall. Esta semana a cidade celebra o 50º aniversário e os êxitos obtidos com igual número de dias de festas multicoloridas, uma demonstração de força em meio a crescentes sinais de homofobia. Cerca de quatro milhões de pessoas são esperadas na Grande Maçã para participar do que os organizadores chamam de "Olimpíadas do Orgulho Gay".

Haverá shows, espetáculos teatrais, exibição de filmes, conferências e um tour gratuito sobre o poeta Walt Whitman no Brooklyn para prestar homenagem aos homossexuais, drag queens e transexuais que, em 28 de junho de 1969, deram basta ao abuso policial e encurralaram um grupo de agentes dentro do bar gay Stonewall Inn, no Greenwich Village.

Os eventos culminarão no domingo com A Parada Mundial da Diversidade ao longo da  Quinta Avenida, passando em frente ao Stonewall antes de dirigir-se para Chelsea. Os organizadores contam com a presença de milhares de manifestações e mais de 160 carros alegóricos. O evento recordará o primeiro desfile a favor dos direitos homossexuais, organizado em 28 de junho de 1970, um ano depois dos distúrbios, quando um grupo de gay caminhou do bar até o Central Park.

"Nunca ninguém antes tinha caminhado em pleno dia, longe dos bares, para celebrar e ter uma espécie de festa hippie; isso foi revolucionário", explicou Karla Jay, professora, escritora e pioneira dos estudos da questão LGBTQ. "Gritávamos para as pessoas nas ruas: Unam-se! Saiam do armário! Como vocês sabem que sua avó não é gay? Fazíamos coisas assim", acrescentou. O desfile foi se tornando a cada ano maior e se estendeu por várias partes do mundo, apesar de a homossexualidade ainda ser proibida e castigada em vários países.

"O que fizemos foi incrível. Acabamos com nossa invisibilidade. Agora as pessoas sabem quem somos. Somos vistos na televisão, somos vistos. Leem sobre nós nos jornais. Nos ouvem em programas de rádio. Já não somos mais invisíveis", afirma um dos veteranos de Stonewall, Mark Segal, de 68 anos, que participou do primeiro desfile, arriscando-se a ser preso.

Madonna e Cindy Lauper 
 
O World Pride Festival de 2019 começará nesta quarta-feira, dia 26, com um show de caridade no Brooklyn, com a atriz Whoopi Goldberg como anfitriã e apresentações de artistas como Cindy Lauper e Chaka Khan. Durante o final de semana, haverá shows de Madonna e Grace Jones. Na sexta, dia 28, milhares de pessoas se reunirão diante do Stonewall Inn.

 A Parada Mundial da Diversidade  de Nova York é uma das maiores do mundo, mas este ano, em função do 50º aniversário, são esperados entre dois e três milhões de visitantes adicionais."Será enorme", afirma Cathy Renna, porta-voz dos organizadores do desfile, famosa por suas roupas exuberantes e ousadas.
 
Ameaça extremista 
 
A polícia estará em alerta extremo, protegendo uma comunidade que perdeu 49 membros no tiroteio na boate gay Pulse, em Orlando, Flórida, em 12 de junho de 2016. John Miller, da unidade antiterrorista da polícia de Nova York, destacou "a crescente ameaça de extremistas de extrema direita que também podem atacar a comunidade LGBTQ". Muitos acusam o presidente Donald Trump de exacerbar o sentimento extremista. 

Uma nova pesquisa publicada na segunda-feira revela que o número de americanos entre 18 e 34 anos que se sentem confortáveis interagindo com pessoas LGBTQ caiu para 45% em 2018, em relação aos 53% no ano anterior, e 63% em 2016."Esses números são muito alarmantes e sinalizam uma crise iminente", disse o chefe da pesquisa Harris, John Gerzema, ao USA Today. "No clima político atual é ainda mais importante estar aqui", declara Jessica Inserra, uma comediante de 42 anos que chegou de Los Angeles para comemorar a data em Nova York.

Comercial
 
As coisas mudaram tanto em meio século que hoje em dia, políticos, bombeiros e policiais desfilam junto à comunidade homossexual.E cerca de 70 empresas patrocinam o desfile, como Macy's, L'Oreal, Danone e Morgan Stanley, que elevaram o orçamento para US milhões, afirmou Renna. 

Alguns grupos gays sentem que o desfile se tornou muito comercializado e perdeu o espírito rebelde de seus primórdios, e por isso organizaram uma passeata alternativa, a "Marcha da Libertação Queer", sem celebridades ou patrocinadores.  Renna, no entanto, ressalta que apenas o tamanho do festival já mostra os avanços do movimento. "O fato de que quatro milhões de pessoas irão participar é, para mim, uma das declarações mais poderosas que podemos fazer."


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