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Los Hermanos retorna a Pernambuco: 'Sempre um prazer, nunca uma obrigação'

Publicado em: 12/04/2019 10:30

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação

Existe aquele tipo de banda que permanece em hiato, mas mantém no imaginário coletivo que uma volta é sempre possível. É o caso de Los Hermanos, que voltaram a realizar agendas de shows em 2012 e 2015. Neste ano, quando o disco de estreia dos cariocas completa duas décadas de lançado, uma nova turnê foi anunciada. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina voltaram aos palcos na semana passada, na Bahia, passaram pelo Ceará, e agora desembarcam em Pernambuco para apresentar o repertório de sucessos que lançaram entre 1999 e 2005. O show será no Centro de Convenções, em Olinda, a partir das 22h - os portões abrem às 18h.

Desta vez, o quarteto voltou tão animado que até divulgou, de surpresa, um single inédito, que quebrou uma pausa de 14 anos sem música nova. Corre corre foi gravada no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio, e mixada por Daniel Carvalho, Arthur Luna e William Luna Jr. Ao contrário do que alguns fãs nostálgicos aguardavam, a música não recupera tanto aquele clima do primeiro álbum, que tem raízes nas bandas de rock alternativo da cena underground (e classe média) do Rio no final do milênio. O lançamento dialoga mais com a atual sonoridade de Marcelo Camelo, um clima pop mais praiano e calmo, evidenciado no projeto Banda do Mar - formado pelo artista ao lado de Malu Magalhães.

A direção de arte da nova turnê é novamente assinada por Batman Zavareze, que criou um cenário com LEDs de diferentes gerações fabricadas dos anos 1980 até hoje. A estética gráfica e tecnológica promete gerar um mosaico de texturas de peças obsoletas com outras ultramodernas de altíssima definição. A nova identidade visual da banda é uma parceria inédita de Filipe Cartaxo (diretor artístico do BaianaSystem) e Zavareze.

ENTREVISTA - Bruno Medina, tecladista do Los Hermanos

Por que voltar agora?
Quando deixamos de ter uma rotina mais assídua de shows, em 2007, acho que nos antecipamos a um potencial desgaste, que seria até natural após 10 anos ininterruptos de estrada. O fato de termos dado vazão a outros planos a partir de então foi essencial para que conseguíssemos, sobretudo, preservar nossa amizade. Como cada um faz o que bem entende da própria vida profissional, tocar com o Los Hermanos é sempre um prazer, nunca uma obrigação. Assim, por não haver nenhum objetivo específico de carreira a ser alcançado que não tocar para nossos fãs e nos divertir, a lógica que define o momento de uma turnê não segue qualquer critério. 

Sempre que a banda anuncia nova turnê, os fãs correm para as bilheterias. Por outro lado, também tem aqueles que criticam, alegando que “se acabou, acabou”. Como lidam com esses comentários?
Sinceramente, não lidamos. Nenhuma banda chega aos 22 anos tocando em estádios se ficar dando refresh no Twitter a procura de comentários de haters. Nossos shows são idealizados única e exclusivamente para estarmos juntos, nos divertimos e prestigiarmos nossos fãs, que sempre foram a razão principal para isso tudo ser como é. Receber críticas faz parte de qualquer atividade pública, por que seria diferente conosco? Mas não é nosso foco.

Como é montar a setlist dos shows com hits antigos? Quais os critérios dessa seleção?
Normalmente tentamos conciliar as músicas que gostamos de tocar com o repertório que tradicionalmente agrada mais ao público. Existem, obviamente, exceções pontuais, por exemplo, músicas que curtimos, mas que soam melhor em contextos mais intimistas. Procuramos trazer alguma variedade de uma turnê para outra, mas não ficamos obcecados com a ideia de soar diferente a cada encontro. Essas são as músicas que temos, e foram elas que nos trouxeram aqui.

Existe a vontade de se desprender do legado da banda para alçar voos solos?
Em 2007, notamos que havia desejo de trilhar caminhos distintos, optamos por respeitar esse sentimento, inclusive em consideração aos fãs. Tudo no Los Hermanos sempre foi feito com muita sinceridade, então julgamos que, naquele momento, não valeria a pena iniciar o processo de pré-produção de um novo disco. A partir de então, Rodrigo e Marcelo lançaram discos solo, eu passei a trabalhar fora da indústria da música, Barba tocou em diversas bandas. Penso que todos estão muito bem resolvidos com o lugar que a banda ocupa em suas vidas atualmente, não existindo razão para frustrações.

Por que lançaram um single agora?
Quando o Marcelo compôs a música Corre corre, considerou que ela tinha “cara” de Los Hermanos, mas na ocasião ainda não havia nenhum plano de lançar material inédito com a banda. A partir de quando se iniciaram as conversas sobre os preparativos dessa turnê, ele nos apresentou e imediatamente nos apaixonamos. Decidimos que valeria a pena tentar fazer um arranjo quando estivéssemos todos juntos no Rio. Como nos adiantamos nos ensaios, surgiu a oportunidade de entrar em estúdio e gravar, e foi isso que fizemos, sem pensar muito sobre o que isso significaria em termos de carreira, visto que é a primeira música inédita em 14 anos. Apenas nos pareceu que seria legal ter uma música nova para somar ao repertório dos discos anteriores.

Lançar um single após 14 anos de hiato exige uma certa “responsabilidade”. Acha que Corre corre corresponde a essa expectativa?
Se levássemos em consideração esse aspecto, provavelmente nenhuma música pareceria ideal, por isso foi importante deixar as expectativas do lado de fora. Corre corre não foi composta para a banda, portanto combinamos que faríamos uma tentativa de fazê-la soar como uma música do Los Hermanos, e que, se o resultado não agradasse, não lançaríamos. Olhando em retrospecto, acho que essa leveza foi importante para que o processo não tivesse muito peso. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final e até o momento a recepção dos fãs tem sido muito positiva.

Serviço
Show de Los Hermanos
Quando: nesta sexta-feira (12), portões abrem às 18h e o show começa às 22h
Onde: Centro de Convenções (Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda)
Quanto: R$ 200, R$ 100 (meia), R$ 400 (mezanino), R$ 200 (mezanino/meia)
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