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Cinema O Filme da Minha Vida reafirma talento de Selton Mello como cineasta Terceiro longa dirigido pelo artista chega às salas de todo o país

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 03/08/2017 19:05 Atualizado em: 03/08/2017 21:12

Protagonista do filme, Johnny Massaro é um jovem introspectivo, na transição para a vida adulta. Foto: Vitrine Filmes/Divulgação
Protagonista do filme, Johnny Massaro é um jovem introspectivo, na transição para a vida adulta. Foto: Vitrine Filmes/Divulgação

O título do novo trabalho de Selton Mello na direção evoca, ao menos por ora, o lugar que a obra ocupa na carreira do ator/cineasta. O filme da minha vida, em cartaz nos cinemas, é, segundo o artista, a melhor realização como diretor, mas não se propõe a ser considerada uma peça definitiva em sua cinematografia.

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"No momento, ele é o filme da minha vida", brinca Selton Mello, que enxerga progresso em relação ao bem-sucedido longa anterior, O palhaço (2011). "Acho que dei um passo maior", avalia. "É o meu melhor filme, esteticamente, e o que consegui contar melhor da história", acrescenta. De fato, O filme da minha vida se mostra como o mais bem acabado e equilibrado filme da trajetória de Selton Mello na direção para o cinema, iniciada em 2008 com Feliz natal.

Apesar de relativamente recente, o trabalho como diretor acumula considerável experiência no campo, além dos três longas que comandou. Entre 2012 e 2014, Selton dirigiu 115 episódios da série Sessão de terapia (GNT). "Aquilo foi meu magistrado por trás das câmeras", diz, sobre o período, em que também ficou sem atuar.

Disposto a conciliar os dois ofícios, Selton Mello encara as atividades como complementares e pretende intercalar períodos dedicados à direção ou à atuação. O maior intervalo de tempo entre o segundo e o terceiro filmes teve também a ver com certa dificuldade em encontrar a história ideal para contar na tela. "Desde O palhaço estava tentando escrever algo original e nada emplacava", revela, o cineasta, também responsável pelos roteiros das obras anteriores.

A ideia original acabou não vindo, mas o diretor recebeu a proposta de adaptar Um pai de cinema (Record, 112 páginas, R$ 34,90), livro do chileno Antonio Skármeta. "Não conhecia o livro nem lido Skármeta", revela, embora já conhecesse a famosa adaptação cinematográfica de uma das obras do autor, O carteiro e o poeta (1994), dirigida por Michael Radford. "'O cara de O carteiro e o poeta está me oferecendo um livro?'", diz, rememorando a surpresa ao receber a proposta. "Era o que eu estava procurando", diz sobre a história.

O protagonista Tony (Johnny Massaro) é um jovem que, ao voltar para cidade natal, é informado pela mãe, Sofia (Ondina Clais), que o pai, Nicolas (Vincent Cassel), retornou de maneira abrupta para a França. Entre a dor pela ausência paterna e o surgimento da primeira paixão, Tony passa pelo processo de transição para a vida adulta.

Sensível, o filme é marcado por um clima nostálgico que vai além do período em que a obra é situada, os anos 1960. O processo de amadurecimento do protagonista e de outros personagens, como Luna (Bruna Linzmeyer), interesse amoroso de Tony, exalta com beleza a ingenuidade de paixões adolescentes e dilemas típicos da idade. Igualmente apurada é a fotografia, assinada por Walter Carvalho, que contribui bastante para a criação da atmosfera delicada e, em alguns momentos, onírica, do longa.

De produção cuidadosa, O filme da minha vida se mostra uma estreia diferente do habitual no circuito comercial brasileiro, mas bastante acessível e despretensioso, além de potencialmente cativante.

[2 perguntas \\ Selton Mello, ator e diretor

Os protagonistas dos seus três filmes são figuras melancólicas e solitárias. É coincidência?
É o inconsciente comendo solto. É muito legal essa hora que você vai lançar o filme e começa a falar sobre. É terapêutico, você começa a se dar conta das coisas. Claro que minha profissão me leva a um contato com o público, um convívio social gigante, mas eu tenho uma natureza bem mais introspectiva. Na minha infância, um prazer que eu tinha era ficar embaixo da escada, com um disco, tocando violão e tirando música com revistinhas de cifras. Era um universo próprio. Preferia isso a ir pra rua jogar boa. É da minha natureza e esses personagens me encantam. Me identifico.

No próximo ano você vai estrelar O mecanismo, série da Netflix sobre a Operação Lava-Jato. Pode falar mais a respeito?

É uma série sobre a história da corrupção no Brasil, é muito mais ampla do que a operação. Algumas coisas que me interessaram: trabalhar com o (José) Padilha, que acho um grande diretor; Netflix, cujas séries eu adoro e achei legal participar desse movimento e gostei da ideia de fazer um personagem que ninguém conhece. Não estou fazendo juiz, promotor “Power Point”, político famoso. É um delegado que existiu e ninguém sabe sobre. Mas o legal disso é que sou um camarada que nunca foi muito ligado em política. Não é a minha, não gosto, não tenho partido, nunca me posicionei. E, por acaso, caiu no meu colo esse projeto. Achei que era uma boa chance de mergulhar nisso, entender mais esse negócio. E a gente vive um momento peculiar do país, é importante falar sobre isso.


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