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Mostra Retrospectiva/Expectativa da Fundação Joaquim Nabuco começa nesta quinta

Evento já está em sua 19ª edição e conta com filmes pernambucanos como Aquarius e até transmissões de ópera

Quarenta e seis filmes de 17 países distribuídos em onze dias de exibição. Embora os números sejam bem respeitáveis para uma mostra, a importância da Expectativa/Retrospectiva para o Recife - já em seu 19° ano - é grande e afetiva por trazer aos cinéfilos locais uma oportunidade de conhecer ou rever obras de impacto durante o ano ou que prometem fazer o mesmo nos próximos meses. A edição de 2016 da mostra começa amanhã e vai até o próximo dia 17 com a disposição de trazer um recorte particular da produção pernambucana, nacional e internacional. Além disso, a mostra, promovida pela Fundação Joaquim Nabuco e com curadoria de Luiz Joaquim, se dispõe a discutir questões da ordem do dia, como as feridas reais e simbólicas causadas pelo machismo.

Confira os horários dos filmes em cartaz no Divirta-se

Este é o primeiro ano no qual as sessões serão realizadas exclusivamente no Cinema do Museu, localizado no campus Casa Forte da Fundação Joaquim Nabuco. A sala, inaugurada há um ano e meio, será utilizada por conta da reforma em andamento no prédio onde está localizado o Cinema da Fundação, no Derby.

As sessões desta quinta-feira dizem todas respeito à situação das mulheres em várias sociedades. O primeiro filme do dia, às 13h45, é As cinco graças, sobre jovens turcas que são obrigadas a participar de casamentos arranjados. Em seguida, às 15h35, Câmara de espelhos, da pernambucana Dea Ferraz, mostra o quanto os homens ainda têm o machismo arraigado em si, ao serem filmados falando sobre mulheres. O filme seguinte, às 17h10, é Mamma Roma, clássico de Pasolini no qual Anna Magnani é uma prostituta que sonha em ter uma vida melhor com seu filho adolescente.  Já o último filme do dia é Precisamos falar do assédio, documentário denso sobre os abusos e insultos dos quais as mulheres são vítimas diariamente. O dia se encerra às 20h30 com um debate com a jornalista Carol Almeida e a realizadora Dea Ferraz, com a mediação de Cynthia Falcão.

Com relação aos filmes pernambucanos, a Retrospectiva traz uma das últimas oportunidades para rever Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Boi Neon, de Gabriel Mascaro, com sessões na próxima semana. Já na Expectativa, será exibido o filme Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, em uma sessão no dia 14/12 seguida de debate com o diretor Sérgio Oliveira. O filme só foi exibido no Festival Internacional de Cinema do Rio, em setembro, onde recebeu o prêmio de Melhor Fotografia e Melhor Diretor. O filme Martírio, sobre a violência sofrida pelos índios Guarani-Kaiowá, é outro filme na programação, assim como Animal político, de Tião. Também vai haver uma mostra de curtas-metragens, com sete filmes, divididos em duas sessões nos dias 14 e 15.

INÉDITOS

A Expectativa, assim como em outros anos, garante a exibição de filmes que passaram pelo Festival de Cannes em 2016. Dessa safra, são cinco obras, incluindo A garota desconhecida, dos Irmãos Dardenne, que concorreu à Palma de Ouro e só estreia no circuito ano que vem. Os outros são Sieranevada, do romeno Cristi Puiu, o mesmo de A morte do Sr. Lazarescu, Depois da tempestade, de Hirokazu Koreeda, o francês O ignorante, com Catherine Deneuve e Mathieu Amalric, que concorreu à Palma Queer em Cannes e o vencedor do Grande Prêmio do Júri, É apenas o fim do mundo, de Xavier Dolan. Entre os policias e de terror, se destaca a produção asiática, com o japonês Creepy, e os sulcoreanos Um dia difícil e O lamento.

ÓPERA

A Expectativa/Retrospectiva também marca o início de uma parceria entre a Fundaj e a distribuidora Bonfim para a exibição quinzenal de seis óperas até março de 2017. A primeira delas é Gianni Schicchi (1918), de Giacomo Puccini, adaptada por Woody Allen e com condução do maestro Grant Gershon. A sessão acontece no último dia do festival (18), às 13h30. “Já há óperas passando em multiplexes, mas as que vamos exibir aqui têm um perfil diferente”, assinala Luiz Joaquim, curador da mostra e também programador do Cinema do Museu.

BRASIL

A mostra traz quatro filmes brasileiros: Travessia, ainda sem data de estreia no circuito, que se passa em Salvador e tem Chico Diaz e Caio Castro no elenco; Canção da volta, de Gustavo Rosa de Moura, com Marina Person e João Miguel; Estive em Lisboa e lembrei de você, de José Barahona e Lua em Sagitário, de Márcia Paraíso, no qual Elke Maravilha faz sua última participação no cinema. 

MARCO BELLOCCHIO

O diretor italiano Marco Bellocchio se notabilizou por não ter medo de tocar em temas de alto teor político em sua obra cinematográfica, na qual os dramas pessoais estão em interseção estreita com seu tempo. Ele dirigiu filmes como Vincere, Diabo no corpo e Bom dia, noite. A mostra terá três filmes dele: De punhos cerrados (1965), seu primeiro filme (dia 11, às 16h15), Sangue do meu sangue (2015), que ganhou o Prêmio da Crítica no Festival de Veneza, e Belos sonhos (2016), que abriu a Quinzena dos Realizadores em Cannes e foi exibido em São Paulo com a presença do diretor.

CLÁSSICOS

Mamma Roma abre a exibição dos clássicos na Retrospectiva e é seguida por Blow-up, de Michelangelo Antonioni, que completou 50 anos em 2016 e será exibido em cópia restaurada. Fitzcarraldo (1982), de Werner Herzog, em parte gravado no Brasil, é outro filme presente na mostra.

NÚMEROS

45 filmes

43 sessões

38 longas-metragens, sendo 12 inéditos no Recife e 12 reprises

8 curtas-metragens, 4 debates

17 países

SERVIÇO

19ª mostra Expectativa/Retrospectiva

Quando: de 8 a 18 de dezembro

Onde: Cinema do Museu (Avenida 17 de agosto, 2187, Casa Forte)

Ingressos: R$ 16 e R$ 8 (meia) para a Sessão Ópera, R$ 3 (preço único) para as sessões Curta PE 1 e 2 e R$ 14 e R$ 7 (meia) para os demais filmes

Informações: 3073-6420

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

 

8/12 (quinta)

13h45 - Cinco graças (93')

15h35 - Câmara de espelhos (76')

17h10 - Mamma Roma (106')

19h15 - Precisamos falar do assédio (80')

20h30 – Debate

9/12 (sexta)

14h - Cinema novo (90') %2b debate

16h30 - Ninguém deseja a noite (118`)

18h50 - De Palma (110')

21h - Creepy - (130')

10/12 (sábado)

13h50 - Noite de verão em Barcelona (96')

16h40 - Fitzcarraldo (158')

19h20 - Depois da tempestade (118')

21h20 - É apenas o fim do mundo (99')

11/12 (domingo)

14h - O ignorante (116')

16h15 - De punhos cerrados (105')

18h20 - Sangue do meu sangue (107')

20h25 - Canção da volta (98')

12/12 (segunda)

13h30 - Aquarius (142')

16h - Debate Sérgio Rizzo - Audiovisual e redes no século 21: uma perspectiva educacional

18h20 - Travessia (90')

20h10 - Um dia difícil (110')

13/12 (terça)

13h20 - Noite de verão em Barcelona (96')

15h20 - De Palma (110')

17h30 - Estive em Lisboa (94')

19h20 - Martírio (160')

14/12 (quarta)

14h30 - Canção da volta (98')

16h30 - Satânico (85`)

18h10 - Curtas PE 1 (68') - Porteiro do dia, de Fábio Leal, Domingos, dirigido por Jota Bosco, Quarto para alugar, de Enock Carvalho e Matheus Farias

19h40 - Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos (79')

21h – Debate

15/12 (quinta)

14h20 - Boi neon (101')

16h30 - Lua em sagitário (100`)

18h30 - Curtas PE 2 (59') - Black out, com direção coletiva, Iluminadas, de Gabi Saegesser, Represa, de Milena Times, O delírio é a redenção dos aflitos, de Fellipe Fernandes, e Fotograma, de Luís Henrique Leal e Caio Zatti

20h - As confissões (100')

16/12 (sexta)

14h35 - Tangerine (88')

16h25 - Animal político (76')

18h - Mercuriales (108')

20h10 - Sieranevada (173')

17/12 (sábado)

14h30 - Academia de musas (92')

16h15 - Blow up - (110')

18h25 - O lamento (156')

21h20 - O que está por vir (102')

18/12 (domingo)

13h30 - Gianni Schicchi (50`)

14h40 - Paz para nós (107')

16h50 - A garota desconhecida (106')

19h - Belos sonhos (130')

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