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Paula Toller lança novo disco e diz que não há planos para volta do Kid Abelha
Artista contou detalhes da gravação do novo disco e da turnê que começa após o carnaval

Aos 52 anos, Paula Toller não se cansa de experimentar. Se o primeiro álbum solo, lançado em 1998, compreendia um setlist eclético — com pop, forró e samba —, os discos seguintes foram marcados por canções próprias e parcerias. No quarto disco, Transbordada, a artista canta as experiências de 32 anos de carreira, consolidando um trabalho cada vez mais autoral. Em entrevista ao Correio/Diario, Paula fala sobre o novo CD, a trajetória solo e a amizade com o músico e produtor Liminha.
Entrevista >> Paula Toller
São mais de 30 anos de carreira e o cenário musical brasileiro se transformou. O que mudou para melhor? E para pior?
Quando comecei, havia muitos programas de música na tevê, como Chacrinha, Globo de Ouro, especiais, videoclipes, e depois, a MTV. Foi tudo acabando, mas, agora, parece que esse tipo de produto está começando a voltar.
Em meados da década de 1980, você se destacava como vocalista de uma banda de rock. O preconceito por ser mulher realmente existia? Se sim, ele ainda existe em 2015?
Eu fiz o que eu tive vontade e não me preocupei com isso. Se houve preconceito, passou raspando e foi cair em outro canto.
Em mais de três décadas de carreira: o que você ainda não fez, mas deseja fazer?
Não sei pensar dessa forma. Eu vou desejando e vou fazendo.
Depois de Paula Toller (1998), SóNós (2007) e Nosso (2008), você lança Transbordada, seu quarto disco solo. Como você avalia esse trabalho? É um disco mais “rock” do que os anteriores?
Transbordada é pop turbinado com experimentações. No primeiro solo, eu queria mostrar a voz em um repertório de standards; no SoNós construí uma rede de parcerias globais. O Nosso foi um show ao vivo, o primeiro que dirigi. Todos têm alguma estreia, algo que nunca havia feito antes. O novo disco é o resultado de toda a minha carreira até agora, e já interferiu no show, que ficou mais animado.
Transbordada é o ápice da sua maturidade musical?
Com sinceridade, vigor e alegria, estou contando minha história para todos. Eu queria fazer músicas para dançar, mas com mensagem, tipo Calmaí, Já chegou a hora ou Seu nome é blá.
O álbum foi lançado primeiro em versão digital e haverá alguns exemplares em vinil. Qual é o porquê dessas opções?
O digital é rápido, abrangente. O CD tem um som melhor, e o vinil é para ser admirado, possuído. É um produto de luxo!
Como você avalia a divulgação de músicas por downloads digitais ou por streaming?
Gosto da música, da arte de fazer as pessoas pensarem algo interessante e sentirem emoções, não gosto de business. Formato é coisa passageira.
Todas as 10 faixas do novo álbum são suas em parceria com Liminha, que também marca presença na guitarra e no baixo, entre outros instrumentos musicais. Ele também foi produtor dos quatro primeiros álbuns do Kid Abelha. Você se recorda quando e como conheceu Liminha? Qual é a importância dele na sua carreira?
Nós nos conhecemos nos ensaios para a gravação do LP Seu espião (1984). Foram vários discos com inúmeros hits, hoje clássicos. Apesar disso, e tendo sido até vizinhos de porta, nunca havíamos feito uma música juntos! Dessa vez, quando o convidei para produzir, ele propôs: “Vamos compor? Você vem aqui e mostra seus rascunhos, eu mostro os meus e a gente vai elaborando o repertório e os arranjos”. O resultado foi que cada dia saía uma música nova e diferente. O Liminha é um produtor completo, que se dedica inteiramente à música. Trabalhando com ele, eu aprendo muito e fico cada vez melhor.
Helio Flanders, vocalista do Vanguart, participa da faixa Será que eu vou me arrepender. Ele, de certa forma, representa a nova geração no seu novo disco?
Hélio é um artista que tem uma voz reconhecível no primeiro segundo, isso é precioso, não se aprende. É o sangue novo do disco.
Por que chamar João Barone (bateria do Paralamas do Sucesso) para tocar em Ohayou?
João é meu amigo de décadas, temos cumplicidade, vivemos coisas parecidas e é um prazer tê-lo registrado para a posteridade em Ohayou, uma música para festivais, com muito coro e letra de hino.
A faixa-título surgiu depois que você viu, de um avião, as matas da região serrana fluminense com as marcas das fortes chuvas de janeiro de 2011, que deixou 905 mortos. O que te inspira?
Inspiração vem de qualquer lugar, a gente não controla. Eu fico atenta a tudo o que acontece, e escrevo quando acho que tenho algo interessante a dizer.
Já chegou a hora é uma de suas várias canções que retratam o universo feminino. Para você, qual é a importância de cantar esse tema? É uma maneira de essaltar o feminismo?
Eu fico satisfeita quando homem e mulher se entendem. Acho que podemos conseguir isso hoje em dia, depois de tanta batalha.
Além da turnê do novo disco, quais são planos para 2015? E quais são os próximos passos com o Kid Abelha?
A turnê Transbordada começa depois do carnaval e não tem data para acabar. Já com Kid Abelha, por enquanto, não há planos.
Confira Paula Toller com Transbordada:
[SAIBAMAIS]