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UFPE aponta que taxa de óbitos por Covid-19 é maior em países mais povoados e com menor proporção de leitos hospitalares

Publicado em: 08/10/2021 11:00

De acordo com os pesquisadores, a densidade populacional explica a variabilidade da taxa média de mortalidade de Covid-19. (Divulgação)
De acordo com os pesquisadores, a densidade populacional explica a variabilidade da taxa média de mortalidade de Covid-19. (Divulgação)
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) apontam que a taxa média de mortalidade por Covid-19 é muito mais alta nos países mais densamente povoados. Segundo a pesquisa, a percentagem da população urbana também interfere na elevação da taxa de mortalidade pelo vírus. Ao analisarem os dados da pandemia em países europeus por meio de métodos estatísticos, os autores identificaram que um aumento de uma unidade no percentual de leitos hospitalares por 100 mil habitantes reduziria a taxa de mortalidade média relativa de cerca de 21% na primeira onda da pandemia na Europa Ocidental. O estudo também contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas e da Universidade de São Paulo.

“Assim, mesmo nos países desenvolvidos dessa região, as taxas de mortalidade da covid-19 foram altas por conta da falta de leitos hospitalares e, mais: um aumento de 1% na percentagem da população urbana resultaria em um aumento de 2,7% na taxa de mortalidade média relativa”, explicou o professor da UFPE, Gauss Cordeiro. Os pesquisadores concluíram, ainda, que a proporção de leitos hospitalares em relação à população é a variável mais significativa para explicar a taxa média de mortalidade nos países da Europa Ocidental.

Os países selecionados – Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Polônia, Romênia, Holanda, Bélgica, Grécia, República Tcheca, Portugal, Suécia, Hungria, Áustria, Suíça, Bulgária, Dinamarca, Finlândia e Eslováquia – contavam com políticas de combate à pandemia similares entre si e grande parte deles está integrada política e economicamente à União Europeia. "A região é considerada a mais rica da Europa e a que possui os melhores índices sociais daquele continente. Além de que eles foram atingidos pela pandemia em datas muito próximas", justifica  o estudo.

VARIABILIDADE
Os pesquisadores, que já haviam publicado um artigo em 2020 que explicava as taxas de mortalidade por homicídios das capitais brasileiras em termos de características distintas dessas cidades, adotaram, basicamente, a mesma metodologia comparando duas regressões bastante utilizadas para explicar a variabilidade de dados na forma de proporções, no caso as taxas de mortalidade da covid-19: a regressão beta e a regressão simplex. Tendo em vista a parceria anterior e a pandemia do SARS-CoV-2, o objetivo do trabalho era explicar a variabilidade das taxas de mortalidade da covid-19 na primeira onda dos países da Europa Ocidental. O déficit de leitos, detectado pelos resultados do artigo, não foi o objetivo do trabalho.

Para garantir que todos os casos pudessem ser comparados no mesmo intervalo de tempo, os pesquisadores registraram para cada país a quantidade total de mortes por milhão em dois momentos, 30 dias (20 observações) e 60 dias (20 observações), após a data em que foi detectado o 20º óbito. Segundo ensina Gauss, “é importante notar que foram considerados 20 países em dois períodos de tempo e isso os permitiu obter um painel equilibrado com duas observações para cada um dos 20 países”.

Foram considerados como variáveis explicativas: a densidade populacional (população/km²), a percentagem da população urbana, o índice de desenvolvimento humano, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a proporção de leitos hospitalares por 100 mil habitantes. A variável resposta do estudo foi observada 30 dias e 60 dias após o 20º óbito confirmado em cada país. Outras variáveis explicativas analisadas não explicavam de forma significativa a mortalidade da covid-19 nestes países.

Participaram do estudo os professores Gauss Cordeiro e Dalson Figueiredo, ambos da UFPE e, ainda, Lucas Silva, de Alagoas, Edwin Ortega e Fábio Prataviera, ambos de São Paulo. O estudo científico “Explaining Covid-19 mortality rates in the first wave in Europe” está disponível para leitura clicando aqui.
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