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CORONAVÍRUS

No Recife, bebê nasce com taxa de imunidade contra a Covid-19 de 94,2%

Publicado em: 02/06/2021 18:00 | Atualizado em: 02/06/2021 18:32

 (Foto: Greta Dias/Cortesia)
Foto: Greta Dias/Cortesia
Após dias de notícias sobre o aumento do número de casos de Covid-19 no estado, um respiro. A bebê de apenas 23 dias de nascida, Anna Carolina Calazans de Souza, está inclusa no grupo de recém-nascidos que já possui anticorpos contra o novo coronavírus. A boa notícia foi espalhada pela mãe da criança, a dentista Anna Carla Calazans, de 33 anos, que anunciou que a bebê nasceu com surpreendentes 94,2% de imunização contra o vírus.

Anna Carla, moradora do bairro de Casa Caiada, em Olinda, tomou a primeira dose da CoronaVac no dia 15 de março, quando estava com 32 semanas completas de gestação, e a segunda dose quinze dias depois, no dia 30, na 34ª semana de gravidez. Apesar da gestação, o imuzante foi aplicado na dentista enquanto profissional de saúde.

O fato do esposo ser médico e de ela ser dentista, dois profissionais que estão expostos ao contato diário com o vírus, Anna decidiu agendar a vacinação. A preocupação principal girava em torno da gravidez, uma vez que Anna temia qualquer possibilidade de um parto prematuro por conta do novo coronavírus. Isso, para a alegria da família, não aconteceu. A dentista foi imunizada e completou os dias de gestação.

Após 22 dias da segunda dose do imunizante, ela decidiu fazer o exame para saber a quantidade de anticorpos contra a Covid-19 seu organismo já comportava. Essa já era uma forma de ter o prognóstico que seria apresentado pela pequena Anna Carolina, que já estava com os dias contados para nascer. A surpresa positiva foi que o exame apontou que a mãe contava com 94,2% de anticorpos contra o vírus.

"A gente não descuidou em momento nenhum, porque não sabíamos a resposta ainda dos anticorpos", disse. O mesmo exame foi feito na bebê após 21 dias de nascida, na última segunda-feira (31), e o resultado foi ainda mais surpreendente. A taxa de anticorpos detectado no organismo da recém-nascida também apontou uma taxa de proteção contra o novo coronavírus de 94,2%.

"Só em saber que existem esses quase 95%, já dá um alívio nisso tudo. Todo mundo ficou muito feliz. Achávamos que seria uma taxa boa, mas não tão alta quanto a minha", explica a mãe da criança.

De acordo com o médico obstétra do Hospital das Clínicas e que acompanhou Anna Carla durante a gestação, Thiago Saraiva, esse tipo de imunidade é chamada de imunidade passiva. Ocorre quando o bebê recebe anticorpos já prontos contra determinado agente. Nesse caso, o processo de transferência de anticorpos acontece de forma natural, ou seja, através da mãe.

"A mãe fabricou esses anticorpos e eles passaram da placenta para o bebê. O bebê não sabe fabricar esses anticorpos, que têm uma vida útil e, com um tempo, vão acabar", diz.

Segundo Saraiva, normalmente para outras doenças, a durabilidade dos anticorpos é de cerca de dois meses. No entanto, ainda não existe consenso sobre o tempo de duração da imunidade passiva para a Covid-19. "Fala-se, também, da presença de anticorpos no leite materno. Pela amamentação teoricamente a mãe também protege", acrescenta.

"O bebê vai ter proteção pelo tempo que ele tiver esses anticorpos em circulação. Se ele entrar em contato com o vírus, os anticorpos vão estar lá para matar o vírus, mas, como o organismo dele não sabe fabricar, os anticorpos que a mãe passou para ele vão estar circulando até perderem a validade".

Para o médico, o ideal é que a vacinação da gestante aconteça antes da 36ª semana de gestação. "É saber que ela (mãe) tomando a vacina e esse parto acontecendo 15 dias depois das doses, o bebê já vai nascer protegido. Vacinar antes da 36ª semana é o ideal, para que dê tempo para que o bebê já nasça com a proteção". 
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