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'A morte nunca esteve tão viva entre nós': Pernambuco ultrapassa os 13 mil óbitos pela Covid-19

Publicado em: 15/04/2021 13:21 | Atualizado em: 15/04/2021 14:42

 (Foto: Carl de Souza/AFP)
Foto: Carl de Souza/AFP


“A morte nunca esteve tão viva entre nós”, com essa frase iniciamos a entrevista com a psicóloga Alda Roberta Campos sobre o impacto das exatas 13.051 mortes causadas pela Covid-19 registradas, nesta quinta-feira (15), em Pernambuco. Mais de 13 mil famílias sofrem na pele a perda de um ente querido para um vírus ainda desconhecido mas extremamente mortal para a população de todo o mundo. Nesse momento de sofrimento, a psicóloga ressalta que devemos evitar a responsabilização da vítima, mas sem deixar de lado o nosso dever coletivo em manter os cuidados para evitar a disseminação da Covid-19. “Escuto de muitos jovens que precisam sair para preservar a saúde mental, mas sempre falo a mesma frase para eles: 'Para ter saúde mental é preciso estar vivo!’. Reforço que é preciso achar alternativas de lazer que não os coloque em risco e nem coloque o outro também”, explicou.

A aproximação cada vez maior com a percepção da finitude da vida faz com que a população fique cada vez mais com medo. Contudo, de certa forma, o medo aos perigos reais acabam agindo como uma proteção ao ser humano. Por isso, com o expressivo número de mortes provocadas pela Covid-19, ter medo de ser contaminado e, consequentemente, nos cuidarmos mais, será uma reação inconsciente materializada na prevenção. “O medo real é uma medida protetiva histórica do ser humano. Quando esse medo não atrapalha a nossa rotina de sono e nem a nossa alimentação, devemos preservá-lo porque ele nos protege da ameaça real que é a Covid-19.” 
 
Cibele participava com frequência de eventos direcionado a corredores.  (Foto: Arquivo pessoal)
Cibele participava com frequência de eventos direcionado a corredores. (Foto: Arquivo pessoal)

Para Fabiola Maranhão, que perdeu a prima Cibele de Andrade, aos 49 anos, vítima da Covid-19, o sentimento é devastador e de revolta. “Minha prima era jovem, com 49 anos, sem doença preexistente e o impacto foi muito grande em toda a nossa família. Hoje na minha família existe um sentimento de revolta. Uma revolta muito grande por termos uma pessoa que comanda o país que está mais preocupada com picuinhas do que salvar a própria população, de ter cuidado com o povo e de providenciar vacina para gente. O sentimento da família é de revolta. Se tivéssemos essa pessoa que comanda o país realmente preocupada com a população, tantas mortes não teriam acontecido”, desabafa. Além de jovem, Cibele não tinha comorbidades, era praticante de corrida e mantinha todos os cuidados indicados para prevenir o contágio, mas foi pega de surpresa pelo vírus.

A psicóloga Alda explica que nessa fase uma rede de apoio é essencial para que o momento do luto seja vivido e que o sofrimento é natural quando se vivencia um momento complicado na vida ou uma perda. É importante também ficar atento entre a diferença entre o sofrimento e a depressão, além de procurar uma ajuda profissional para conseguir lidar melhor com a situação vivida. “Quem afirma que não sofre precisa procurar ajuda porque todo ser humano sofre em algum momento da vida. Porém, é preciso ficar atento se esse sofrimento interfere diretamente na rotina do sono ou alimentação, por exemplo, e se a pessoa que sofre consegue enxergar alternativas de saída para aquela situação. Caso essa situação interfira nessa rotina e a pessoa não consiga ver maneiras para enfrentar o momento vivido, é preciso ficar em alerta e procurar uma ajuda profissional.”

Além de exercer a profissão de psicóloga, Alda também é conselheira presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco da 2ª Região e conta que a pandemia também causa um impacto profundo nos profissionais de saúde. Aplaudidos como heróis,  esses profissionais também precisam de cuidados porque são seres humanos. “Os profissionais de saúde são aplaudidos e rejeitados pela sociedade civil. Houve casos de profissionais expulsos de elevadores sociais apenas por atuarem em hospitais e apresentarem, de certa forma, um risco. Então, os profissionais de saúde estão vivendo também como vítimas desta pandemia e precisam de ajuda psicológica para lidar com tudo isso que estamos vivendo.”

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