Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

QUARENTENA

A realidade dos que dependem das orlas para sobrevivência

Publicado em: 21/03/2021 12:47 | Atualizado em: 21/03/2021 13:14

 ( Hesiodo Góes/ DP)
Hesiodo Góes/ DP

Além de lazer, as orlas pernambucanas representam uma fonte de renda para muitos, que agora estão tendo que buscar outros meios de sobrevivência. Com o novo decreto estadual para conter o avanço da Covid-19, todas as praias estão fechadas até o dia 28. São quase duas semanas que fazem toda a diferença para os que dependem do comércio praieiro.

Para Adilson Domingos, 45, o novo decreto significou a perda de seu trabalho como garçom de praia, seu Adilson agora luta para desenrolar o sustento diário como vigia de carros na Avenida Boa Viagem. “Estou dormindo na rua porque tiraram o emprego da praia, era pra ressarcir de alguma forma o meu ganho, e isso não está acontecendo. Ontem mesmo eu acordei na chuva, minhas coisas estão secando na areia”, comentou.

Adilson também ressaltou que com o calçadão fechado, as pessoas estão se aglomerando na calçada da avenida, para a transitação, passeio com cachorros e exercícios físicos. “As pessoas se aglomeram na calçada, a situação piorou, no calçadão tem espaço pro pessoal caminhar, aqui não tem, fica todo mundo trombando um no outro, é muita gente na calçada”, reforçou.

Segundo o trabalhador, o decreto deveria ser voltado para outros locais de aglomeração, como transportes públicos, e não para as orlas. “E o ônibus e metrô? A gente aqui sabe trabalhar obedecendo os protocolos e isso foi tirado da gente sem nenhum retorno financeiro. Muita gente perdeu o emprego, a renda, e continua se aglomerando em ônibus e metrô para conseguir se sustentar”, ponderou.

Esse ponto de vista sobre transportes públicos não foi ressaltado apenas por seu Adilson. Milton Codacio da Silva, 63, trabalha como vendedor de jornal na Padaria Boa Viagem e concordou com o que Domingos trouxe. “Os ônibus e metrô estão bem lotados, parece que o coronavírus só tem na praia”, comentou.

 (Ananda Barcellos/ DP)
Ananda Barcellos/ DP
 

Milton trabalha há 18 anos com vendas de jornais e segundo ele, os periódicos não param de vender, hoje o trabalhador voltou para casa sem nenhum exemplar sobrando na mochila.“Estou vendo o movimento forte, até parece que o coronavírus só tem na praia e no calçadão, do lado da calçada não tem”, ressaltou. Codacio também comentou que testemunhou diversas confusões causadas por transeuntes com os policiais da orla. “Eles só estão aqui fazendo o que foram mandados”, firmou.

Segundo o contador Emias Ramos, 49, as consequências do decreto estão sendo sentidas por todo o estado, não só nas orlas."O decreto em si é necessário para poder conter a pandemia, só sinto pelo comércio em geral, 10 dias fechados, as contas chegam e sem a ajuda do governo federal fica difícil", comentou.

 ( Hesiodo Góes/ DP)
Hesiodo Góes/ DP
 

Seu Emias compartilhou que o fechamento geral tem atingido diretamente a sua área de trabalho, afastando clientes. “Por um lado é bom ver as pessoas ajudando a conter a pandemia, por outro lado é muito triste ver os comerciantes que dependem disso aqui sem ter como trabalhar", ponderou.

TAGS: quarentena | praia |
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Posse e compra de armas de fogo geram polêmica entre autoridades e população
Liberdade de imprensa piora no Brasil de Bolsonaro
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 20/04
Metade da população adulta nos EUA já tomou ao menos uma dose de vacina contra Covid
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco