Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

Covid-19

Campo da União: no local escolhido para participar de pesquisa mundial, parte da população circula sem máscara

Publicado em: 02/09/2020 18:52

 (Foto: Tarciso Augusto / DP)
Foto: Tarciso Augusto / DP
Localizada no bairro da Macaxeira, região com 87 casos confirmados e 21 óbitos causados pela Covid-19 nos últimos meses, a comunidade do Campo da União acredita que os dias mais difíceis da pandemia passaram. Agora, grande parte dos moradores dispensam máscaras e se reúnem para praticar esportes como futebol e vôlei, que continuam proibidos, exceto para atletas federados. Na última terça-feira, o local foi escolhido para participar do monitoramento do uso dos espaços públicos de comunidades em contato com a covid-19. Por meio de pesquisa de campo será observado o comportamento dos habitantes, principalmente o das crianças, nestes ambientes.  
 
“No começo cumprimos tudo, mas com a diminuição dos casos acredito que podemos respirar um pouco. Fizemos tudo tão correto que só conheço três pessoas que pegaram Coronavírus por aqui. Na minha casa está tudo bem”, comenta Oseias Silva Albuquerque, mecânico que mora na comunidade desde que nasceu, há 26 anos. “A alegria da gente é o campo, é a melhor coisa daqui. As crianças sentiram falta e eu também. Os dias de quarentena não foram nada fáceis, tive que dar uma pausa no meu trabalho. Minha filha ainda é pequena, sentiu falta da escola e dos amigos, vez ou outra trago ela pra ver as pessoas jogando bola.”  
 
Aos finais de tarde, pais saudosos como Oseias têm procurado o campo da comunidade para se divertir com seus filhos. Peladas são comuns, mas existem os que levam redes de vôlei para o local. Crianças e adolescentes formam maioria. De acordo com o governo do estado, estas não são práticas permitidas. Os treinamentos dos esportes coletivos em Pernambuco foram liberados, desde a última segunda-feira (24), para atletas ligados às federações de suas respectivas modalidades e com idade acima de 12 anos. Práticas de futevôlei, vôlei de praia, beach tennis e aulas em grupo com profissionais de Educação Física podem acontecer, porém continuam proibidas as práticas por lazer, tanto em ambientes públicos quanto privados.  
 
Por mais que a maior parte dos moradores não estivesse fazendo uso de equipamentos de proteção individual durante a visita do Diario, eles afirmam ter recebido visitas de agentes comunitários nos primeiros meses de crise sanitária. “Eu acho que tem sido feito um bom trabalho por aqui. Sempre passavam para nos ensinar como usar máscaras, lavar as mãos e sobre a importância do álcool em gel”, comenta a manicure Verônica Freitas. “Também vi muitas vezes a polícia dispersando os jogos no campo, quando aglomeravam. Mas agora que a maioria são crianças está mais tranquilo.” 
 
A empregada Jocilene da Silva era uma das poucas pessoas que transitavam de máscara pela comunidade. “Eu já tive Coronavírus, achei que não ia sobreviver. Passei quase duas semanas de cama, no dia das mães olhei para o meu marido e disse que não aguentava mais. Não sei como consegui me curar”, relembrou. “Sei como é importante usar máscara e não aglomerar. Não quero passar por tudo aquilo outra vez, li que ainda não se tem certeza sobre a reinfecção. Não vou arriscar, ainda mais sendo diabética e com uma mãe no grupo e risco dentro de casa. Nessas ruas tornou-se raro ver alguém de máscara, mas vou e volto do trabalho com a minha.” 
 
A pesquisa 
 
Por meio de uma parceria entre o programa Mais Vida nos Morros, da Prefeitura do Recife e o Instituto Gehl People, entidade idealizada pelo dinamarquês Jan Gehl, autor do livro “Cidade para pessoas”, a dinâmica da comunidade do Campo da União ajudará montar um quadro comparativo do impacto da covid-19 no uso de espaços públicos em outras cidades ao redor do globo. 
 
Incluído em um circuito de pesquisa em urbanismo, o local sitiado na Macaxeira foi responsável por colocar a capital pernambucana como uma das quatro cidades no mundo, e única no Brasil, a participar da iniciativa. As outras escolhidas são Tel Aviv, em Israel; Tirana, na Albânia e Lima, no Peru. Na pesquisa será realizada uma avaliação da aglomeração nos espaços públicos escolhidos, sendo reunidos dados sobre a adoção de práticas de distanciamento social e a utilização destes espaços na pandemia. O Campo da União contará com uma ferramenta que funciona como aplicativo desenvolvido pela entidade dinamarquesa para observar o comportamento das pessoas, principalmente o das crianças. Estima-se que 450 famílias morem no local.  
 
“Além de ter sido beneficiada com a requalificação do quiosque e da tenda, e a criação de caminhos brincantes, pinturas, pausas urbanas e arte urbana. Casas, muros, ruas, calçadas, escadarias, postes e fachadas receberam a arte de Carlos André e Luciano Ferreira. A comunidade passou a ter como característica a sua própria personalidade local. O campo da união foi a primeira área do programa que recebeu novos mobiliários urbanos como bancos, lixeiras e brinquedos sensoriais feitos a partir da reutilização dos plásticos recolhidos pelos moradores. O local foi reurbanizado e devolvido para a população, que agora pode desfrutar de espaços de lazer, descanso e de brincadeiras lúdicas para as crianças”, diz a prefeitura da cidade.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 1 a 5: Dicas de empreendedorismo
Rhaldney Santos entrevista advogada Rafaella Simonetti do Valle
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão
Brasil é vítima de desinformação sobre meio ambiente, diz Bolsonaro
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco