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Vidro descartado em Fernando de Noronha é transformado em pó

Publicado em: 17/11/2019 08:49 | Atualizado em: 17/11/2019 08:55

 (Foto: Marcionila Teixeira/DP)
Foto: Marcionila Teixeira/DP
Em Fernando de Noronha, um dos principais destinos turísticos de Pernambuco, todo vidro descartado é transformado em pó. Triturado, o produto substitui a areia e pode ser misturado ao cimento e à água durante processos de construções na Ilha. Desde 2014, o pó de vidro é entregue gratuitamente aos moradores autorizados pela administração da Ilha a tocarem obras em Noronha. A novidade é que, a partir da próxima semana, uma máquina nova doada por uma empresa privada vai permitir uma maior qualidade na quebra desse vidro e o empacotamento automático do produto em sacos de 25 quilos, posteriormente doados. A transformação do vidro em pó preserva o meio ambiente, mas também ajuda moradores cuja renda não permite a aquisição do metro cúbico da areia, que chega a custar R$ 2,4 mil.

A máquina substitui outra, em funcionamento há cinco anos na Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos (UTRS) da iIlha. “A antiga tem capacidade de produzir três toneladas por dia. A nova tem capacidade para moer mais, porém a produção será a mesma. A diferença é a melhoria no processo. Uma coisa é produzir e colocar em big bags e outra é produzir e pôr em saquinhos, prontos para serem entregues aos moradores”, comparou Edgar Amaro Júnior, gerente de contrato da Universo, empresa de engenharia que presta serviço para a administração da Ilha.

A Unidade de Tratamento de Noronha recebe dez toneladas de resíduos (descartável e não descartável) por dia. Edgar Júnior não sabe calcular quanto de vidro é separado desse total, mas diz produzir a média de uma tonelada de pó de vidro diariamente. A máquina custa R$ 180 mil e foi doada pelo Grupo Heineken, em parceria com a Iônica e a Menos 1 Lixo. O equipamento ficará em um espaço adaptado da unidade. A obra deve estar pronta ainda nesta segunda-feira, quando há previsão de início de funcionamento da máquina. Com a iniciativa, a probabilidade é de reduzir a importação de areia do continente, via embarcações. A manobra termina cara para quem adquire o produto e envolve riscos, inclusive de naufrágios.

Apesar de ser considerada paraíso para visitantes brasileiros e estrangeiros, Noronha somente começou a investir na coleta seletiva de resíduos a partir de agosto deste ano. Antes, os chamados resíduos reciclável e não reciclável, ou seco e molhado, como também são chamados, eram levados misturados para a Unidade de Tratamento de Resíduos da ilha. O processo de conscientização ainda é lento e nem todo mundo coopera na separação do lixo, mas o pontapé inicial foi dado na quebra de uma cultura alimentada desde a infância.Desde então, depósitos para destinação correta do lixo foram espalhados nas ruas de Noronha e foi instalado, também, um calendário de coleta de lixo. Nas terças, quintas e sábados, são recolhidos restos de alimento.

Nas segundas, quartas e sextas, acontece a coleta de materiais recicláveis, como latas, vidros e papel. “No início, tivemos uma resistência grande, mas montamos grupos de apoio e treinamento, mostramos como fazer. Foi um trabalho porta a porta. Em 60 % da ilha, estamos seguindo com essa coleta. Ainda existe o descarte aleatório porque essa política é recente em Noronha e no país”, ressaltou Edgar Júnior. A destinação do resíduo deveria ser tratada com maior atenção, e mesmo respeito, em todo o mundo, avalia o gerente de contrato da Universo.“A Unidade de Tratamento era para ser um ponto turístico. Porque a pessoa poderia chegar em um paraíso como esse e ver o que fazemos com o lixo gerado. Era para ser montado até um museu do lixo, para visitação. Fizemos uma parceria com uma escola de Noronha porque é mais fácil mudar uma cultura quando começamos com os pequenos”, pontuou.
 
Arquipélago recebeu 103 mil visitantes em 2018

O número de turistas na Ilha vem crescendo a cada temporada. Somente no ano passado, foram 103 mil visitantes. Um dos resultados desse boom é a maior geração de resíduos. Para encaminhar todo o lixo reciclável e separado, ainda na Ilha, para o continente, a administração de Noronha investe R$ 400 mil por mês. Parte é vendida, como o alumínio, por exemplo. Hoje, o que mais chega à UTRS é o vidro e o papelão. Com o decreto determinando o fim da circulação de plástico no arquipélago, publicado em abril, o produto tem chegado em menor quantidade à UTRS. “Apesar de volume pequeno de plástico, o poder de poluição dele é imenso. Ainda vemos garrafas pequenas, canudos, garfos”, explicou Edgar Júnior. Na última terça-feira, a ilha ganhou o Centro de Engajamento Noronha Plástico Zero. O espaço é dedicado a atividades de conscientização ambiental para turistas e moradores e é um dos braços do projeto Noronha Plástico Zero. Se tudo correr conforme o esperado, em dez anos o plástico deve estar banido de Noronha.

Pelo decreto, fica proibida a entrada, uso e comercialização de itens descartáveis plásticos, como garrafas de bebida abaixo de 500 ml, canudos, copos, talheres e sacolas de supermercados, além de isopor e demais objetos compostos por materiais como polietilenos, polipropilenos ou similares.O decreto deve ser cumprido por bares, restaurantes, quiosques, ambulantes, hotéis, embarcações e pousadas, além dos 6 mil moradores e mais de 100 mil visitantes que passam por Noronha todos os anos. Segundo a administração, no primeiro mês de vigência do decreto foram coletados 350 quilos de plástico. No segundo, foram apenas cinco quilos. Hoje, a fiscalização é feita no aeroporto e pode render multa de um salário mínimo.A doação da máquina de triturar vidro e a instalação do centro de engajamento fazem parte do mesmo projeto. A iniciativa prevê, ainda, a formação de agentes de transformação, onde moradores ficarão responsáveis por cursos e atividades de conscientização dentro e fora do centro, e a distribuição de seis mil kits noronha plástico zero entre os moradores. O kit é feito em sacola de lona reciclável e contém um copo e canudo reutilizáveis. 
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