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Proprietário tem até segunda para apresentar projeto de recuperação de casas da Rosa e Silva

Consideradas Imóveis Especiais de Proteção (IEPs) da cidade desde 2015, quando se encontravam em bom estado de conservação, as casas estão hoje em situação de abandono

Publicado em: 28/12/2018 08:30 | Atualizado em: 28/12/2018 08:41

Casas geminadas seguem se deteriorando na Avenida Rosa e Silva. Foto: Bruna Costa/Esp.DP.
O proprietário das duas casas em estilo modernista na Avenida Rosa e Silva, Zona Norte do Recife, tem até esta segunda-feira (31) para apresentar o projeto de recuperação das edificações. Consideradas Imóveis Especiais de Proteção (IEPs) da cidade desde 2015, quando se encontravam em bom estado de conservação, as casas estão hoje em situação de abandono. Apesar de estarem cercadas por tapumes, é possível perceber a degradação das antigas residências. Os imóveis estão sem janelas e portas, além de o telhado estar deteriorado. Pilhas de lixo, mato e entulhos de obra se acumulam em frente ao casario. O cenário é bem diferente do que era encontrado na época em que as casas eram habitadas, quando era possível ver um jardim que adentrava as varandas e o colorido das paredes e janelões de madeira.

Uma audiência de conciliação que aconteceu em junho deste ano foi concluída com um acordo entre o proprietário e a Prefeitura do Recife. Foi estabelecido um prazo até o fim de 2018 para que o dono dos imóveis apresente o plano de recuperação. De acordo com a gestão municipal, atualmente, o proprietário está na fase de reforma das cobertas. A Secretaria de Planejamento Urbano informou que, caso ele não apresente o projeto de restauração das casas até o período estabelecido, a Justiça será alertada sobre o descumprimento.

As casas fazem parte dos Imóveis Especiais de Proteção (IEPs) da cidade desde 2015. Por 15 votos favoráveis, um contra e uma abstenção, as ocupantes dos números 625 e 639 da Rosa e Silva foram incluídas na lista de imóveis protegidos. As intervenções pretendidas pelo dono dos imóveis provocaram indignação em grupos de defesa do patrimônio, como o Direitos Urbanos, que afixou cartazes nos tapumes que escondem as edificações. “Turistas, venham conhecer o nosso patrimônio histórico”; “o tapume vai proteger o patrimônio ou esconder a demolição?” e “Estas casas são patrimônio histórico municipal e não podem ser demolidas” são as frases estampadas nos lambe-lambes colados. A Prefeitura do Recife chegou a embargar as obras, e o caso foi judicializado em setembro de 2016.

Montes de entulhos se acumulam em frente às casas. Foto: Bruna Costa/Esp.DP.
O Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (Ceci) ficou responsável pelo projeto de recuperação. “(Em 29 de junho de 2018), demos início ao projeto de restauro das casas geminadas da Avenida Rosa e Silva, com o levantamento e identificação dos materiais que podem ser reaproveitados. As casas foram classificadas como IEP por suas contribuições ao patrimônio moderno e vêm sofrendo um contínuo processo de descaracterização, arrematado pela destruição do telhado. As ações apenas visam devolver a integridade do bem e seu aspecto original”, informou a entidade pelas redes sociais. O Diario tentou contato com o Centro para saber do status atual da obra, sem sucesso.

História

Em 2013, as casas estavam em bom estado de conservação e ostentavam belo jardim. Foto: Laís Araujo/Esp. DP.
Construídas em 1959 em estilo modernista, as casas foram compradas aos primeiros donos em 2012, por um investidor, ao preço de R$ 3 milhões. Uma das edificações chegou a ser transformada em padaria, que fechou após menos de um ano de funcionamento no local. Os dois imóveis são a parte que restou de um conjunto de quatro casas. Duas delas, na Rua do Cupim, bairro das Graças, já sofreram alterações na estrutura e são alugadas a um restaurante e a um curso de idiomas. O projeto original foi assinado pelo arquiteto Augusto Reynaldo.

A professora do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Guilah Naslavisky ressaltou que a mínima alteração, como a retirada de um muro, já descaracteriza o imóvel. A especialista destacou que projetos podem ser realizados mudando o mínimo e pensando na preservação dos patrimônios e lamentou que na maioria das vezes isso não aconteça.



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