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Notícia de Política

INVESTIGAÇÃO

PGR pede arquivamento de denúncia contra ministro Ciro Nogueira

Publicado em: 06/05/2022 17:35

 (crédito: Marcos Corrêa/PR)
crédito: Marcos Corrêa/PR
Em uma ação controlada, realizada em fevereiro deste ano, a Polícia Federal filmou José Expedito Rodrigues Almeida, ex-assessor do presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), recebendo repasses de dinheiro em espécie. A ação foi combinada com o próprio receptor, que procurou a corporação para denunciar um esquema de pagamento de propina envolvendo deputados da legenda. O dinheiro, de acordo com Expedito, seria para evitar que ele relatasse às autoridades informações que poderiam comprometer políticos do partido.

Além do senador, o deputado Eduardo da Fonte (PE) também estaria agindo para tentar impedir o depoimento do ex-assessor. Além de ficar calado diante de algumas perguntas, ele também teria que mudar a versão de depoimentos que foram prestados anteriormente durante as investigações.

Os repasses foram realizados em pelo menos duas ocasiões. A primeira remessa, de R$ 5 mil, ocorreu em 26 de fevereiro e a segunda dias depois. De acordo com o depoimento prestado à PF, o dinheiro foi entregue pelo ex-deputado Márcio Junqueira, ex-integrante do PP, que agora está filiado ao Pros.

Ele foi preso na ação deflagrada pela PF, na última terça-feira, que foi até a Câmara e a endereços ligados a políticos do PP para investigar indícios de obstrução de Justiça. Além de Brasília, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em Teresina e Boa Vista. Foram recolhidos documentos e arquivos eletrônicos que podem corroborar o depoimento de Expedito.

O Progressistas, antigo Partido Progressista, é o que mais tem parlamentares envolvidos no esquema revelado pela Operação Lava-Jato. Neste ano, após o fim da janela partidária, para troca de partidos, o PP, que tinha 33 deputados, passou a ter 50, superando o PSDB, e se tornando a terceira maior bancada da Câmara. Dos 56 parlamentares da legenda no Congresso, que inclui 6 no Senado, 31 são alvos de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

A sigla, que tem R$ 131 milhões reservados para as eleições deste ano por meio do fundo eleitoral, usa o poder financeiro para atrair políticos. O partido promete até R$ 2,5 milhões a cada candidato a deputado, para uso na campanha eleitoral. Esse é o teto máximo definido pela Justiça Eleitoral. As doações empresariais estão proibidas, o que levanta a cobiça pela verba pública.

Em nota, o advogado do senador Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, afirmou que, no inquérito, não existe qualquer indício de participação do senador. O defensor afirmou também que o parlamentar prestará depoimento à Polícia Federal para esclarecer o que for necessário. A ação controlada que foi feita só pode ser usada em favor do senador, pois em nenhum momento há qualquer indício de envolvimento de Ciro com qualquer ilícito, afirmou.


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