Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Política

ELEIÇÕES

Eleitor jovem se relaciona mais com comunidades do que com partidos

Publicado em: 03/05/2022 15:53

 (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Jovens estão descrentes com a política do país e o centro do descontentamento seriam os partidos e a polarização. É o que afirma o relatório Juventudes e Democracia na América Latina, da Luminate, realizado em quatro países da América Latina com jovens entre 16 e 24 anos feita no ano passado. O resultado pode ajudar a explicar o afastamento dessa parcela da população do processo eleitoral. 

A pesquisa também diferenciou os termos apatia de antipatia democrática. A questão foi pontuada no relatório Centre for the Future of Democracy, da Universidade de Cambridge, que inseriu o Brasil na análise. No primeiro termo, as pessoas têm um ceticismo em relação às instituições democráticas, baixa participação eleitoral e baixo interesse em política. No segundo, o comportamento dos cidadãos se voltaria a uma espécie de apoio ativo a movimentos iliberais que sejam hostis às instituições pluralistas. 

"Nas sociedades em que a juventude não enfrenta discriminação aberta, a apatia seria mais provável, enquanto nas que ela enfrenta exclusão social sistemática, a apatia tem se tornado antipatia. Para os autores, o remédio seria a educação cívica: transmitir os valores da democracia liberal por meio da história da democracia e dos totalitarismos, o que pressupõe que a apatia e antipatia democráticas dos jovens sejam resultados de sua falta de conhecimentos históricos e políticos", observa o estudo. 

Engajamento on-line
 
Para os autores do relatório de Cambridge, uma solução para fisgar novamente o eleitorado jovem seria a educação cívica. "Transmitir os valores da democracia liberal por meio da história da democracia e dos totalitarismos, o que pressupõe que a apatia e antipatia democráticas dos jovens sejam resultados de sua falta de conhecimentos históricos e políticos", analisa. 

Outro ponto de busca relevante seria pela proximidade com a realidade das comunidades em que está inserido esse perfil. Há uma propensão ao engajamento on-line com causas, como meio ambiente, feminismo, direitos da população LGBTQI+ e desigualdades. Aliás, esse último quesito foi apontado na pesquisa como um impeditivo à consolidação de uma democracia saudável no Brasil.

“O jovem defende a democracia, as instituições e o voto, mas, de forma geral, o faz de uma forma desapaixonada. Ele está totalmente desconectado dos partidos, que considera corruptos e elitizados, e se sente invisível para eles. É um jovem que se politiza on-line muito mais do que off-line”, destaca Esther Solano, uma das pesquisadoras.

Os especialistas envolvidos em ambos os estudos sustentam que, por meio das entrevistas realizadas, o espaço on-line se tornou o local no qual a juventude tem contato com acontecimentos políticos ou onde começam a ganhar consciência política.

Campanha que incentiva os adolescentes a participarem das eleições, Olha o Barulhinho tem site próprio e foi desenvolvida pela agência Quid, que se apresenta como "um laboratório de comunicação e de mobilização para causas". 

Campanha no tinder
 
Além de influenciadores, artistas e figuras políticas, outros personagens passaram a agir politicamente no espaço. No penúltimo dia do prazo do Superior Tribunal Eleitoral (STE) para tirar o título de eleitor ou regularizar a situação eleitoral, a campanha de adesão ganhou um incentivador inusitado: o Tinder.

A marca lançou a campanha Bota Seu Título Pra Jogo, que mostra ao usuário, enquanto navega na plataforma, mensagens de incentivo para fazer o processo eleitoral e não perder a data de fechamento, 4 de maio. 

A ideia é que a pessoa encontre o perfil “Bota Seu Título Pra Jogo” e, ao dar match, seja direcionada para uma mensagem personalizada que explica sobre o processo e oferece um link direto para a checar a situação do título ou regularizá-lo.

Artistas e influenciadores também são parte importante nesse processo. Os participantes da pesquisa feita pela Luminate afirmaram ter começado o interesse por política ao verem comentários em perfis que gostam e com os quais concordam. 

“Durante a pesquisa foi possível perceber a importância de influenciadores, das redes sociais e de demais espaços de interação on-line na formação política dos jovens latino-americanos. Os influenciadores, ao se comunicarem de forma muito mais simples, direta e divertida, conseguem engajar seus públicos no apoio a determinadas causas”.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
WIDGET PACK - Sistema de comentários
Casamento de Lula e Janja: celulares barrados na entrada
Soldado russo se declara culpado por crime de guerra na Ucrânia
Manhã na Clube: entrevista com Maria Zilá Passo, advogada especialista em direito da saúde
Fechamento de escolas durante pandemia pode gerar prejuízos por décadas no Brasil
Grupo Diario de Pernambuco