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Notícia de Política

FUNCIONALISMO

Bolsonaro diz que reajuste de 5% desagrada a todos, incluindo policiais

Publicado em: 29/04/2022 21:37

 (Foto: Marcos Correa/PR)
Foto: Marcos Correa/PR
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta sexta-feira (29), que está de “mãos atadas” em relação ao reajuste de 5% para os servidores públicos federais. A afirmação foi feita durante entrevista à rádio Metrópole, de Cuiabá (MT).

"Parece que desagrada a todo mundo [conceder o reajuste de 5%]. Alguns falam, então dá zero. Não pode fazer isso aí, tem muita gente que se for nessa linha, 5% interessa a eles. Nos dois últimos meses a inflação passou de 3%, o negócio está pegando pesado para todo mundo", disse Bolsonaro. “Não sou dono da caneta BIC pra solucionar esse problema. Não é apenas o parlamento brasileiro. No momento, é impossível fazer ajuste nesse sentido”, destacou Bolsonaro.

A fala do presidente repercutiu no funcionalismo e gerou descontentamento de algumas categorias averiguadas pelo Correio, entre elas, as forças policiais, que tinham a promessa de um reajuste no Orçamento da União com base na reserva de R$ 1,7 bilhão.

Em nota, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapfe), entidade que reúne associações da polícia federal, de delegados federais e de peritos criminais, repudiou a afirmação do presidente. “Em diferentes governos, a Polícia Federal conquistou avanços institucionais importantes. O atual governo, no entanto, se posiciona como exceção, fragilizando a instituição”, informam a Fenapfe em nota. De acordo com a associação, um possível cancelamento da reestruturação para a categoria é “grave e inadmissível”.

O descontentamento dos servidores começou com Bolsonaro escolhendo apenas as forças policiais (PF, PRF e Depen) para oferecer o reajuste com base na reserva de R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2023. O descontentamento chegou à "elite do funcionalismo”, no caso, servidores do Banco Central e fiscais da Receita Federal.

“É de se estranhar a possibilidade de cancelamento da reestruturação por parte do presidente da República. Ele [Jair Bolsonaro] próprio divulgou, de forma exaustiva”, escreveu a Fenapfe. Segundo o documento, a categoria se reunirá em assembleias nos próximos dias para decidir o que fazer diante do impasse.

"Como vai se comportar a Polícia Federal? Vai dizer que é contra? Entrar em greve? Peço a todos que estão me ouvindo: se coloquem no meu lugar, apresentem alternativas", provocou o presidente durante a entrevista à rádio mato-grossense. “Nenhuma iniciativa será descartada. Os policiais federais não receberão esse duro golpe calados”, finalizou a nota da Fenapfe.

“Reservamos R$ 1,7 bi para reestruturar PF, PRF e Depen. Até aí tudo bem. O estudo vazou e outras categorias importantes pro Brasil, não quero citar, começaram a ameaçar o governo: ‘Vamos parar o Brasil se não tiver pra todo mundo’. Apareceu o primeiro grande impasse nessa questão, são categorias que podem sim parar o Brasil. Receita, Banco Central, seria um problema sério”, disse Bolsonaro.

Fábio Faiad, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), por meio de nota, afirmou que, por ampla maioria, a greve da autarquia será retomada por tempo indeterminado a partir de 3 de maio. “As razões principais foram o descumprimento por parte do presidente do Banco Central em conseguir em abril/2022 uma reunião entre o sindicato e o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, a não apresentação de uma proposta alternativa aos 5% e a não apresentação de uma proposta sobre a parte não-salarial de nossas demandas”, afirmou.

David Lobão, coordenador geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e representante do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), disse que o discurso de Bolsonaro sobre o descontentamento com o reajuste é conhecido e há ainda uma espécie de “ameaça” ao congelamento dos salários. “Não é a primeira vez que ele fala isso e toda vez que ele fala isso, ameaça que vai congelar nossos salários”.

“Se ele coloca os 5% no papel, nós discutimos. O problema é que não chegou nenhuma proposta. Se chegar uma proposta, por mais ridícula, irrisória que seja, iremos discutir com a base”, destacou Lobão.
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