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Notícia de Política

CPI DA COVID

Senador não se arrepende de citar Nelson Sargento em pergunta sobre vacina

Publicado em: 31/05/2021 13:12

 (Eleito pelo Ceará, Eduardo Girão (foto) questionou Dimas Covas sobre eficácia da Coronavac em idosos. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Eleito pelo Ceará, Eduardo Girão (foto) questionou Dimas Covas sobre eficácia da Coronavac em idosos. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) diz não se arrepender da menção ao sambista Nelson Sargento, horas depois da morte dele, na quinta-feira (20/5). Aos 96 anos, o cantor e compositor foi vítima da Covid-19 mesmo após tomar as duas doses da CoronaVac. Horas após a morte do artista, Girão utilizou o caso para perguntar a Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, sobre a eficácia do imunizante em idosos.

O questionamento ocorreu durante oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, tocada pelo Senado Federal.

“Não me arrependo. Não fui desrespeitoso e tudo depende da intenção da pergunta. O objetivo ali, dos questionamentos, também é suscitar eventuais preconceitos da população para que, com as respostas de um cientista, se possa esclarecer a opinião pública ainda resistente a ver que o processo de vacinação é fundamental, independentemente de alguns resultados encarados como negativos”, diz o senador, em entrevista ao Estado de Minas.

Ao responder Girão, Dimas Covas explicou que as injeções têm papel fundamental na busca pela imunidade coletiva. O especialista lembrou que o efeito da vacina varia conforme as especificidades de cada pessoa.

“A vacina não é uma proteção absoluta. Ela não é escudo contra doença ou mortalidade. É uma proteção relativa. Entram fatores individuais das pessoas e as comorbidades”, afirmou. Durante a sessão, Girão também citou outros casos de idosos infectados após a dose de reforço.

Ao EM, o parlamentar sustentou que os questionamentos foram feitos com o objetivo de dirimir dúvidas “Doutor Dimas Covas trouxe as informações necessárias para que as pessoas se sintam seguras com o processo de vacinação”.

Enquanto discorria sobre as funções dos imunizantes anticovid-19, o presidente do Butantan explicou que as doses têm a função de evitar complicações da doença viral. Ele lembrou, ainda, que idosos produzem menos anticorpos que pessoas mais jovens.

“Nenhuma vacina até este momento tem demonstrado que protege contra a infecção. Ela protege contra as manifestações clínicas — e, principalmente, as manifestações mais graves”, pontuou.

A morte de Nelson Sargento
Nelson Mattos, ex-sargento do Exército, tomou a primeira dose da vacina em janeiro, durante solenidade promovida pela Prefeitura do Rio de Janeiro. No mês seguinte, foi contemplado com a injeção de reforço.

Internado em 20 de maio no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, onde tratava de um câncer na próstata desde 2005, chegou ao hospital com desidratação e anorexia. Testou positivo para o novo coronavírus e foi intubado.

Sargento era baluarte da Estação Primeira de Mangueira desde 2012, escola que representou por muitos anos, compondo sambas de enredo e desfilando. O sambista era presidente de honra da agremiação desde janeiro de 2013, meses após a partida do mestre-sala Delegado, então ocupante do posto.

A composição mais simbólica de Nelson Sargento, um dos ícones do samba em forma de lamento, foi a canção “Agoniza, mas não morre”. Em 2015, foi homenageado pela Inocentes de Belford Roxo no carnaval carioca.
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