Estratégia Governo segura indicação de Eduardo em busca de diminuir resistências no Senado

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 14/08/2019 21:18 Atualizado em:

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve esperar pelo menos mais uma semana para enviar ao Senado a indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador do Brasil nos EUA.

Na visão de auxiliares do presidente, é preciso que o deputado tenha mais tempo para amadurecer uma simpatia a seu nome e quebrar resistências entre os senadores. 

A decisão de Bolsonaro indicar um de seus filhos para o posto mais cobiçado da diplomacia foi alvo de críticas, inclusive por parte de alguns de seus apoiadores. 

O governo estuda o momento apropriado para encaminhar a indicação do embaixador de Washington para evitar uma derrota ou constrangimento.

Há ainda uma preocupação de lideranças governistas no Congresso de que a votação de Eduardo contamine a reforma da Previdência, que chegou ao Senado na semana passada.

Para que o processo de aprovação do deputado tenha início no Legislativo, primeiro é feita a publicação no Diário Oficial da União.

Então, a mensagem é encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que faz a leitura em plenário.

Depois disso, o presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores) designa um relator para que faça um parecer meramente consultivo. Ou seja, independente do que indique o relatório e mesmo que ele seja rejeitado, a indicação vai ao plenário para votação secreta. Para ser aprovado, o nome precisa ter mais da metade dos votos dos presentes.

O indicado também terá que passar por uma sabatina na CRE. 
Há 13 mensagens com indicações de representantes diplomáticos que ainda não foram lidos por Alcolumbre. No entanto, ele não descarta passar a indicação de Eduardo na frente das demais.

No Senado, há resistência à indicação de Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington. Senadores como o líder do PSD, Otto Alencar (BA), já defendeu a rejeição do nome do filho do presidente como um recado do Legislativo para o que considera excessos cometidos pelo chefe do Executivo.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o relator da reforma da Previdência, Tasso Jereissati (PSDB-CE), disse temer que a polêmica escolha contamine o ambiente para a votação das novas regras para aposentadoria.

No entanto, Bolsonaro tem a seu favor a atuação de alguns aliados. Favorável à indicação, o presidente da CRE, Nelsinho Trad (PSD-MS), deve indicar o governista Chico Rodrigues (DEM-RR) para relatar a indicação na CRE.

Além disso, Davi Alcolumbre tem conversado com senadores e apontado que uma eventual rejeição da indicação vai definir uma convivência conflituosa do Senado com o Palácio do Planalto.

Em resposta às críticas sobre ser beneficiado pelo pai, o deputado disse que fez intercâmbio nos Estados Unidos e "fritou hambúrguer no frio do Maine".

Dias depois, em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro disse que pretende beneficiar seu filho e que não pode fazer nada se as pessoas deixarem de votar nele pela indicação.

A favor de Eduardo, pesou um elogio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse estar "muito feliz" com a indicação. Na semana passada, o governo americano respondeu positivamente à consulta formal feita pelo governo brasileiro sobre o nome do filho do presidente.

Bolsonaro tem dito que seu filho tem uma boa relação com a família de Trump, o que facilita a relação entre os dois países.


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