Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Política

candidatura

Previdência 'cacifa' Maia para eleição de 2022

Publicado em: 12/07/2019 11:26

Evaristo Sá/AFP
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou nesta quinta-feira (11), para uma reunião na casa do deputado Elmar Nascimento (BA), líder de seu partido, quando foi abordado por colegas que o chamaram de "Senhor Reforma". Embora o tema do encontro fosse a continuidade da votação da reforma da Previdência, aliados lhe deram dicas sobre como tornar sua imagem mais popular e atrair votos até a eleição de 2022. Tratado como presidenciável por muitos de seus pares, Maia sorriu.

Desde que conseguiu cumprir a promessa de "entregar" aprovado o texto-base da proposta sobre mudanças no sistema de aposentadoria, antes do recesso parlamentar, Maia viu crescerem as apostas sobre uma eventual candidatura à sucessão do presidente Jair Bolsonaro. Em conversas reservadas, ele não nega a intenção de entrar no páreo, mas afirma que sabe o seu tamanho e precisa examinar a posição das "nuvens", que cada dia está de um jeito. 

A aproximação de Maia com o governador João Doria (PSDB) - pré-candidato à sucessão de Bolsonaro - incomoda o Palácio do Planalto. Nos bastidores do governo há comentários de que o deputado também pode compor chapa com Doria, repetindo a dobradinha PSDB-DEM que comanda o Bandeirantes. Em São Paulo, o vice-governador Rodrigo Garcia é do DEM.

"Você pode ser o nosso candidato, mas vamos ter de modernizá-lo" disse a Maia o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade, na reunião de ontem, que teve a presença de ministros e do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho. "Esse cabelinho caindo na testa não vai dar. Além disso você precisa sorrir, olhar para o eleitor quando apertar a mão dele e parar de ficar checando mensagem no celular na hora da conversa", emendou Paulinho da Força. Após a "receita", arrematou: "E também falta um programa popular".

De todas as dicas recebidas, Maia tem investido mais na plataforma, que, segundo ele, não é de campanha. Depois da Previdência, a ideia é tocar uma agenda na Câmara que dê prioridade a medidas para destravar o crescimento e retomar o emprego, como a reforma tributária.

Maia adotou como mote uma frase que diz ter parafraseado do governador do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite: "Coragem mesmo precisa quem tem a ousadia de ser ponderado". Três meses depois de ter dito ao jornal O Estado de S. Paulo que o governo Bolsonaro é "um deserto de ideias", ele se movimenta agora com o objetivo de construir um programa para o País.

'Rodriguetes'
Ao lado de deputados de primeiro mandato que ficaram conhecidos como "rodriguetes", o presidente da Câmara decidiu acelerar projetos de lei sobre modernização do Estado. Alguns já tramitam na Casa e precisam apenas de alterações pontuais para deslanchar. O pacote inclui melhorias na gestão de desempenho no serviço público e criação de uma política de governo digital na União, Estados e municípios.

As conversas de Maia fluíam bem com o ministro da Economia, Paulo Guedes, mas, desde que ele criticou o relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) sobre a Previdência, o caldo entornou. Até hoje a relação entre os dois está estremecida. Maia, porém, se reúne quase toda a semana com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Informado de que famílias com salários de dois a três mínimos caem com frequência no cheque especial, o deputado quer aprovar um projeto que reduza a taxa de juros para essa modalidade. Trata-se de um programa bem popular.

O placar de votação da reforma, com 379 votos a favor - 71 a mais do que o mínimo - surpreendeu até o governo. "Nós não teríamos conseguido chegar até aqui sem Rodrigo Maia", admitiu o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO).

Para o ex-ministro Ciro Gomes, candidato derrotado do PDT na disputa presidencial, o Brasil vive momento de "ressaca política" a partir da aprovação de novas regras para a aposentadoria. "Essa é uma vitória do Maia, não do governo. E foi acachapante", argumentou ele.

No PDT e no PSB, partidos de oposição, 19 deputados votaram a favor da reforma, contra orientação das cúpulas. "A oposição teve uma lição muito amarga, de saber o tamanho que tem, para não transformar cada embate em um terceiro turno", avaliou Ciro, também pré-candidato em 2022. "Nosso papel é atrair Bolsonaro para o jogo democrático e, no Congresso, ter uma política de redução de danos, em uma tática de diálogo com Maia."

Questionado sobre o comentário de Bolsonaro, que o chamou de "general dentro da Câmara", Maia deu mais uma estocada na direção do Planalto. "Os generais estão apanhando muito do entorno do presidente. Acho que não é muito bom ser general nesse momento."
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco