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Notícia de Política

reforma da previdência

Presidente do PDT promete 'atitude cirúrgica' contra Tabata e outros 7 dissidentes

Publicado em: 11/07/2019 11:49

Luis Macedo/Agência Câmara
O presidente do PDT, Carlos Lupi, confirmou nesta quinta-feira (11) que a Comissão de Ética do partido vai abrir procedimento contra Tabata Amaral (SP) e os outros sete deputados que votaram a favor da reforma da Previdência.

O argumento do processo disciplinar -que pode propor advertência, suspensão ou mesmo expulsão da sigla- é que esses parlamentares desrespeitaram uma determinação da convenção do PDT em março, quando a legenda fechou questão contra as mudanças no sistema previdenciário.
 
No vocabulário de Brasília, o fechamento de questão é quando as legendas determinam que seus representantes no Congresso sigam o que foi acordado pelos órgãos deliberativos dos partidos. Quem não seguir essa orientação dica sujeito a algum tipo de penalidade.
 
De acordo com Lupi, uma vez instaurado, o procedimento disciplinar deve durar de 45 a 60 dias para ser concluído. Cabe à Comissão de Ética do PDT apresentar um parecer e a decisão final sobre eventuais penalidades é tomada pelo diretório do partido.

Além de Tabata, outros sete pedetistas votaram a favor do texto-base da reforma da Previdência nesta quarta-feira (10). São eles Alex Santana (BA), Flávio Nogueira (PI), Gil Cutrim (MA), Jesus Sérgio (AC), Marlon Santos (RS), Silvia Cristina (RO) e Subtenente Gonzaga (MG).

Tabata defendeu nesta quarta, em suas redes sociais, seu voto pró-reforma. "O sim que eu digo à reforma não é um sim ao governo. E também não é um não a decisões partidárias", disse a pedetista.

À reportagem Lupi disse nesta quinta que o partido está estudando opções para adotar "uma atitude cirúrgica" com os dissidentes.

Isso porque existe um entendimento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) segundo o qual partidos políticos não podem propor ação de perda de cargo eletivo quando o parlamentar é expulso da agremiação.

"Eu também não sou criança. Já tem um parecer de que, em caso de expulsão, não cabe ao partido pedir o mandato. Então esse parecer faz um salvo-conduto para quem não cumpre as diretrizes partidárias. Força a expulsão para poder sair de partido", declarou o dirigente.

"Ao mesmo tempo que não adianta ter deputado que não vota com o partido, também não vamos dar ao deputado a opção de poder mudar do partido sem ter nenhuma punição. Tudo isso nós estamos avaliando para ter uma atitude cirúrgica", concluiu.

Também no PSB -que fechou questão contra a reforma- há um grupo de parlamentares que descumpriram a decisão partidária e que correm risco de receber alguma punição. Dos 32 deputados na sessão desta quarta, 11 deram apoio ao projeto.

Principal porta-voz da ala, Felipe Rigoni (ES) disse que votou sim por convicção, mesmo diante do risco de sofrer penalidades. 

Tanto Tabata quanto Rigoni são originados do Acredito, um movimento de renovação política criado em 2017 e que sempre se colocou a favor de uma reforma previdenciária.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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