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vaza jato

Nova série de diálogos indica conversas impróprias entre Deltan e desembargador do TRF4

Publicado em: 12/07/2019 10:05 | Atualizado em: 12/07/2019 11:19

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O novo pacote de diálogos divulgado, nesta sexta-feira (12), pela revista Veja em parceria com o The Intercept Brasil aponta indícios de que as conversas dos procuradores também teriam ocorrido com um dos membros do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), órgão que está encarregado pelo julgamento em segunda instância dos processos da Lava-Jato, em Curitiba. O desembargador é João Pedro Gebran Neto, relator dos casos da operação. 

Os diálogos, onde o desembargador é citado, fazem referência a Adir Assad, operador de propinas da Petrobras e de governos estaduais, preso em março de 2015. Adir foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e dez meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. 

Deltan Dallagnol teria comentado com colegas do MPF que o desembagador estaria achando as provas no caso Assad fracas. A conversa aconteceu cinco meses antes do julgamento do caso em segunda instância no TRF4. O assunto voltou a ser comentado no dia 5 de junho de 2017, em conversa de Dallagnol com o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré, membro da força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, que atua juntamente com o TRF4.

A conversa ocorreu nas vésperas do julgamento da apelação de Assad, Deltan se mostrou preocupado com a possibilidade de que Adir seja absolvido. O receio do procurador estaria ligado a negociação de uma delação, se Adir fosse absolvido, voltaria atrás no acordo que acabou sendo firmado em 21 de agosto de 2017. 

Na conversa, Deltan comenta com Cazarré:  “Cazarré, tem como sondar se absolverão assad? (…) se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir pra adiar agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação…", “Olha Quando falei com ele, há uns 2 meses, não achei q fisse (sic) absolver… Acho difícil adiar”, respondeu Cazarré.

A sentença em primeira instância, decidida pelo ex-juiz Sergio Moro, concluiu que Assad permanecia no comando de algumas das empresas utilizadas para escoar dinheiro desviado da Petrobras. Em junho de 2017, Gebran confirmou a condenação de Assad, tendo o voto seguido por outros dois desembargadores da Oitava Turma do TRF4. Em sua decisão, Gebran acrescentou depoimentos da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa.

Procurado pela reportagem da Veja, Deltan decidiu não se manisfestar sobre o caso. Gebran respondeu às questões enviadas por email pela revista, “Em relação ao réu Adir Assad (ou qualquer outro réu), trata-­se de questão processual e que somente autoriza manifestação nos autos, pelo que nunca externei opinião ou antecipei minha convicção sobre qualquer processo em julgamento.”, nenhum dos envolvidos atestou a autenticidade das conversas.

Em junho, o site The Intercept Brasil começou a divulgar uma série de conversas entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o ex-juiz Sergio Moro que ficaram conhecidas como Vaza-Jato. 

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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