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The intercept

Greenwald promete dar sequência às matérias envolvendo Moro

Publicado em: 11/07/2019 21:33

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
 (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado )
As supostas mensagens que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, teria trocado com o coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, continuarão sendo publicadas pelo site The Intercept Brasil, afirmou o fundador do veículo de comunicação, Glenn Greenwald. Durante sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o jornalista garantiu que não tem medo do ex-juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

"Há notícias de que ele está investigando e ele nunca negou. Isso mostra a mentalidade do ministro. Ele quer que fiquemos com medo e apreensão. Não temos medo nenhum, vamos continuar publicando. Tenho evidências autênticas para apoiar a nossa reportagem", afirmou. 

Segundo Greenwald, o site tem um acervo gigante de mensagens que seriam de Moro. A quantidade de documentos é maior da que ele recebeu em 2013 do ex-agente de inteligência dos Estados Unidos, Edward Snowden, para denunciar segredos sobre a espionagem americana. 

"Estamos divulgando há apenas um mês, o que é pouco tempo para reportar com responsabilidade os cinco anos de trabalho da Lava-Jato. Temos muito mais reportagens a serem feitas, sobre diversos assuntos. Vamos continuar reportando esse material até o final, independentemente do que o Moro ou o presidente Jair Bolsonaro fizerem", declarou.

Consciência limpa
Greenwald ainda revelou que tem sofrido ameaças de representantes do PSL, partido de Bolsonaro. Segundo o jornalista, os responsáveis pelos ataques fazem uma campanha "covarde" na internet e usam materiais forjados e falsificados para tentar diminuir o seu trabalho. De qualquer forma, ele não está preocupado.

"Não existe nenhuma evidência de que eu esteja envolvido em qualquer tipo de crime. Estão tentando usar abuso de poder e táticas sujas. Eles sabem o que fizeram, mas estão tentando me criminalizar e investigar. Isso é comportamento quem tem coisa para esconder", criticou.

"Se eu pagasse um centavo para receber as informações dessa fonte, seria crime. Por que eu ficaria neste país se fizesse isso? Obviamente, se isso tivesse acontecido, eu sairia agora do Brasil e faria a reportagem nos Estados Unidos. Mas estou aqui e vou ficar nesse país", continuou.

O jornalista frisou que não está prejudicando a reputação do Brasil no exterior. "Quem suja e prejudica o Brasil no mundo internacional é o ministro da Justiça, que  ameaça jornalistas e a imprensa livre. A culpa é de quem está nos atacando e de quem viola as regras de conduta de um juiz, colaborando secretamente com procuradores", opinou.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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