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Evento de 200 dias indica acirramento da tensão entre Planalto e Congresso

Publicado em: 19/07/2019 06:52

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
O governo se preparou, ao longo do dia de ontem, para anunciar, na cerimônia alusiva aos 200 dias de gestão, um robusto pacote envolvendo injeção de dinheiro na economia e aquecimento da demanda via liberação de saques de contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep. No entanto, brecado pela Caixa Econômica Federal — que justificou não ter havido tempo hábil de preparação para os anúncios — e pelo setor da construção civil, contrário à medida, sobrou para o presidente Jair Bolsonaro fazer a defesa pessoal de seu governo e sinalizar interesse na reeleição. “Nós temos um desafio pela frente. Entregar em 2023 ou em 2027 um Brasil melhor para quem nos suceder. Mas isso requer sacrifícios de todos nós, sem exceção. Nós podemos mudar o futuro do Brasil. Nós podemos sair da teoria para a prática”, sustentou em seu discurso.

Antes de Bolsonaro, quem falou no evento foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com declarações consideradas como uma sacolejada no chefe do Planalto. O parlamentar pregou o fortalecimento das instituições e dos Três Poderes. “Só com essas instituições fortes nós poderemos, de fato, dizer que vivemos numa democracia consolidada”, frisou. Ele ressaltou que o Congresso teve a maior produção legislativa dos últimos 25 anos, e manifestou que todos buscam “acertar mais do que errar, todos os dias”. “Muitas vezes, cometemos equívocos. Que tenhamos possibilidade de acertar, errar e corrigir, e não errar mais.” 

A resposta não tardou. Emocionado, Bolsonaro citou que a cadeira presidencial é de “kriptonita”, em referência à disputa de poder no país, que, para ele, ocorre “até dentro de casa”. Ele ressaltou que o governo busca fazer o melhor. “É difícil? É. Estamos vencendo paradigmas. São seis meses sem uma acusação de corrupção no governo. Para os críticos, não basta. É obrigação? É obrigação, sim. E nós temos que buscar atingir esses objetivos. Coisas simples, mas que interessam a todos”, declarou. 

A partir daí, o presidente engatou um forte discurso sobre os feitos do Executivo. Mencionou o projeto de lei que ampliou o prazo de validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de cinco anos para 10 e enalteceu o selo agrícola — pauta principal anunciada na ausência do pacote econômico —, que regulamenta a comercialização de produtos artesanais nos mercados externo e interno. Ali, abriu brecha para a defesa que ocupou mais espaço no discurso: a da indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à embaixada brasileira em Washington.

Desafios
A análise feita por parlamentares ouvido após o evento, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, é que os discursos são mais profundos do que deixam transparecer. Um deputado aliado aponta para muitos desafios no pós-Previdência. Na Câmara, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), ausente na cerimônia de ontem, deve se articular para não deixar o governo impor sua agenda e negociará ponto a ponto as prioridades futuras.

No Senado, com a Previdência em pauta no segundo semestre, além da sabatina a Eduardo Bolsonaro, as batalhas vão se avolumar. “O que prevejo para os próximos 200 dias é algo não muito diferente do que foram esses primeiros meses. O Executivo precisará de muita ajuda para evitar que o Congresso o escanteie ou continue cobrando um custo político elevado para que tenha seu espaço no Parlamento”, ponderou um parlamentar.

Os desafios se acentuam sobretudo em vista do decreto editado ontem pelo governo, que amplia critérios gerais para que indicados a cargos em comissão cumpram exigências específicas, como formação acadêmica compatível com a função. Especificar demais é algo malvisto no Congresso. Além disso, novas promessas foram feitas, como a de um governo “100% digital” até o fim do mandato, segundo sinalizou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. 

O problema é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), pouco mais de metade dos brasileiros (62%) tem acesso à internet. O Ministério da Economia, responsável pelo projeto, estima que, em dois anos, a ideia esteja completamente implementada.
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