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Chanceler fará contraponto às resistências a Eduardo Bolsonaro

Publicado em: 12/07/2019 20:39 | Atualizado em: 12/07/2019 20:46

Foto: José Cruz/Agência Brasil (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Foto: José Cruz/Agência Brasil (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
As prováveis resistências que Eduardo Bolsonaro receberá se assumir a Embaixada do Brasil em Washington, oriundas de políticos do oposicionista Partido Democrata, serão enfrentadas diretamente pelo chanceler Ernesto Araújo.

Na costura para a indicação do filho político mais novo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para o cargo mais importante da carreira diplomática no exterior, as críticas foram colocadas na balança com o grande ativo do deputado que acaba de completar 35 anos.

Pesou mais o acesso de Eduardo à Casa Branca. Ele já foi elogiado publicamente por Donald Trump e tem relação pessoal com o influente genro do presidente, Jared Kushner. Como diz um diplomata que acompanhou a discussão, Eduardo seria o embaixador mais próximo do núcleo do poder americano da história.

De resto, Trump está em excelentes condições políticas para disputar a reeleição no ano que vem. A economia americana vai bem e o campo democrata está dividido, sem nenhum candidato forte à vista ainda. É uma aposta relativamente segura dizer que o presidente é hoje favorito a reter a cadeira.

O óbice óbvio vem do Congresso, em especial da Câmara dominada pelos democratas. Praticamente não há iniciativa que interesse ao Brasil que não tenha de passar pelos congressistas, e a antipatia ao Brasil de Bolsonaro ficou patente quando o prefeito democrata de Nova York rejeitou sua presença para receber um prêmio na cidade.

Não ajuda em nada o fato de Eduardo nutrir uma admiração recíproca por Steve Bannon, o ideólogo da direita nacionalista que foi conselheiro da campanha de Trump e trabalhou na Casa Branca até brigar com o chefe, ainda no começo do mandato do presidente, em 2017.

Eduardo é representante no Brasil do embrião de "internacional nacionalista" proposta por Bannon para unir regimes de direita em todo o mundo e teve sua indicação para Washington elogiada pelo ideólogo.

Aliados de Araújo dizem que isso poderá ser superado com o trabalho direto do chanceler, que já teve conversas consideras muito boas com deputados e senadores democratas e republicanos na condição de chanceler. Além disso, Araújo serviu na embaixada em Washington como vice-chefe da missão, conhecendo assim os códigos do Capitólio.

Para os críticos da escolha dentro do Itamaraty, uma silenciosa maioria, há duas considerações a fazer sobre essa visão. Primeiro, que o alinhamento prometido pelo próprio Bolsonaro aos EUA de Trump poderá naturalmente trazer frutos, mas também arrisca o interesse nacional a depender das condições vinculantes que a Casa Branca colocar na mesa.

Segundo, a inexperiência de Eduardo poderá reforçar essa ideia de subserviência no exterior. Sua frase lembrando que "fritou hambúrguer" nos EUA, como prova de seu conhecimento do país, foi uma blague mal colocada, para usar o eufemismo típico das relações diplomáticas. Como diz um embaixador, ele poderia apenas dizer que preside a Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Câmara.

Mais: se realmente o chanceler for seu anteparo, ficará configurada de forma explícita demais a submissão de Araújo a seu fiador no governo.
 
Araújo teve seu nome indicado por Olavo de Carvalho. O escritor radicado nos EUA é o ideólogo dos filhos de Bolsonaro, de Araújo e de Filipe Martins, o assessor internacional do presidente. No grupo, a posição do deputado Eduardo (PSL-SP)  sempre foi prevalente.

Embora se elogiem constantemente, há ciúmes na relação. É notório o episódio em que Araújo queixou-se do protagonismo de Eduardo na visita do pai a Trump em março, e irrita a ambos o apelido de "chanceler sombra" que o deputado recebeu no Itamaraty.

A ala, autodenominada antiestablishment colheu várias vitórias sobre seus rivais militares no governo, mas assessores palacianos sugerem que o grupo deva se abster de loas públicas ao homem que chamam de "o professor" para evitar mais turbulências.

Os militares com assento no governo estão ressabiados. Temem que uma aproximação excessiva com os EUA acabe por gerar problemas registrados no começo do governo, como o anúncio depois desmentido de uma base militar americano no Brasil e uma condução voluntariosa da crise na Venezuela.

Até aqui, eles seguraram os impulsos da turma olavista no que consideram suas áreas, mas isso parece cada vez mais incerto.

Assim como não está mensurada a oposição que a indicação de Eduardo possa vir a ter no Senado dominado pelo DEM, partido que está agastado com a desidratação promovida pelo PSL de Bolsonaro na reforma da Previdência, cuja aprovação do texto-base é considerada obra de seu principal expoente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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