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A luta por uma vida livre de violência contra as mulheres passa por uma educação não sexista

Paulo Dutra
Professor, doutor em Educação pela UFPE, ex-vice-presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, pré-candidato a deputado estadual pelo PSB

Publicado em: 02/07/2022 03:00 Atualizado em: 02/07/2022 06:18

No último mês acompanhei, tomado por um sentimento de revolta, dois casos de violência sexual contra as mulheres que tiveram uma grande repercussão em nosso país.

Infelizmente, esses casos são apenas a ponta de um imenso iceberg que retrata os vários tipos de violência contra as mulheres e que, infelizmente, faz parte de nosso cotidiano.

A luta contra todos esses tipos de violência passa necessariamente pela educação! Precisamos desconstruir a cultura patriarcal que ainda é tão nociva e presente em nosso estado e país. A educação é, sem dúvida, um dos principais caminhos para a prevenção de todas as violências contra as mulheres.

Tenho orgulho de ser autor da lei que instituiu no calendário oficial do nosso estado o Dia Estadual de Luta por uma Educação não Sexista, celebrado anualmente, desde 2020, no dia 21 de junho.

A data pretende estimular, dentro do ambiente escolar, discussões sobre a necessidade de reparação das desigualdades históricas entre homens e mulheres.

Essa desigualdade é uma dura realidade no Brasil. Questões como diferenças profissionais, baixa representatividade em espaços de poder e violência contra as mulheres infelizmente ainda fazem parte do cotidiano brasileiro. É preciso unir sociedade civil, terceiro setor, diversas autoridades dos poderes Executivo e Legislativo para que, de fato, ações efetivas sejam implementadas visando a superação desses desafios.

Em Pernambuco as discussões destas pautas tão importantes já são uma realidade dentro das escolas estaduais e ocorrem de forma sistemática durante todo ano letivo através das ações dos Núcleos de Estudo de Gênero e Enfrentamento da Violência contra a Mulher - os NEGs.

Enquanto estive à frente da Secretaria Executiva de Educação do estado de Pernambuco, em 2011, acompanhei e fortaleci o início da implementação desse projeto. Naquela época iniciamos o piloto em cinco escolas estaduais. Hoje os NEGs estão presentes em 203 escolas de referências e técnicas estaduais e contribuem de forma significativa e profunda para o debate destas temáticas.

É de suma importância institucionalizar os Núcleos de Estudo de Gênero e Enfrentamento da Violência contra a Mulher, tornando-se política de Estado para garantir que todas as escolas públicas do estado de Pernambuco tenham esse espaço de discussão de forma contínua, com objetivo fomentar o debate de gênero no ambiente escolar, tão necessário e urgente para a nossa sociedade.

Precisamos de ações efetivas que visem sanar a dívida histórica que nosso país tem com as mulheres! Precisamos avançar com pautas progressistas e apoiar projetos políticos que defendam a paridade de gênero na ocupação de espaços de pode do estado!

Como homem, educador, professor e político faço das pautas das mulheres um compromisso pessoal de luta. Essa luta é diária e deve ser também de todas e todos.

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