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Opinião
Quem será o sucessor de dom Fernando Saburido?

Marcus Prado
Jornalista

Publicado em: 28/06/2022 03:00 Atualizado em: 28/06/2022 05:50

Dom Fernando Saburido anunciou pedido de renúncia ao cargo de arcebispo de Olinda e Recife, ao papa Francisco, por limite de idade, 75 anos, segundo o cânon 401 do Código de Direito Canônico. A Arquidiocese de Olinda e Recife deve celebrar o tempo pernambucano e recifense do nosso pastor pelo legado que deu certo, rendendo graças a Deus por todos os anos dedicados à evangelização, um trabalho coroado de ações repletas de frutos espirituais. Aonde dom Saburido for será sempre identificado como o bispo do sorriso e dos abraços. Levará consigo o dom da cordialidade, da simpatia, do acolhimento, do diálogo, o jeito todo seu de colocar em prática, com simplicidade, a necessidade de um apostolado, compreendendo que todo homem tem sede de Deus, segundo o Salmista, e que, na voz de Spinoza, só há uma substância, que é Deus.

Quem será o substituto do nosso querido dom Saburido na missão, complexa e multiforme, da Igreja numa diocese como a nossa? Creio que o papa Francisco será inspirado por seus anjos iluminados, de longas asas brancas, na escolha daquele que será o nosso pastor, nesse tempo de perdas de fé, de abandono e troca de crença por certas “agremiações”, com fachadas religiosas, acusadas de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro ou fraude. Todas historicamente impunes.

Inspiro-me no ideário do cardeal português José Tolentino de Mendonça, autor de um livro de grande valor Elogio da Sede, ele que é teólogo, ensaísta e poeta (considerado uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea), que nos mostra a identidade da Igreja nos tempos modernos. A Igreja, segundo ele, não deve estar alheia ao cenário de dor e desamparo, bem como aos riscos ideológicos. À despersonalização, ao pluralismo relativista e de grande instabilidade e insegurança, que deram origem a um individualismo egoísta. A Igreja deve estar atenta a este cenário e como tal deve advertir e aconselhar. Ao papa Francisco não faltará, na escolha, a recomendação da Regula ad Servos, de Santo Agostinho, endereçada à comunidade monástica do convento de Hipona, para crença nas virtudes do cristianismo primitivo: caridade, unidade, apostolado. Sem esquecer as Regras de São Basílio destinadas aos bispos de sua época: caridade e o carisma, um dom gratuito do Espírito Santo.

Como será o bispo de um novo tempo na Arquidiocese de Olinda e Recife? Torço para que, em comunhão de todos, não só católicos, o Vigário “grande pastor das ovelhas” (Hb 13,20) tenha por horizonte o trabalho de enfrentamento às dificuldades.

Que traga um olhar novo, na continuidade inspiradora do seu antecessor, de evangelização e conforto nesta hora em que milhares de pessoas estão passando fome, não só nesta diocese.  A fome no Brasil avança e atinge, em dois anos, mais nove milhões de pessoas. Em Pernambuco o sofrimento é de tremenda preocupação.  “A maioria dos homens vive uma vida de desespero, espanto e dor”, escreveu Henry Thoreau, nas memórias de seu exílio às margens do Lago Walden, por volta de 1845. É preciso que o encantamento da palavra consoladora bata na porta de cada um, dizia Thoreau. Cumprindo a alegria missionária, digo eu.

Pelo novo arcebispo, que não deve deixar de ter o seu perfil no Instagram, no Facebook, no Twitter e até no Spotify, que deve escolher o seu time pernambucano de futebol e vestir a camisa da Seleção, já estou torcendo. Toda comunidade católica estará por certo aberta para recebê-lo. O seu perfil, segundo a Sagrada Ordem dos Bispos, como pastor da Igreja, pastor de um inumerável rebanho, junto com os presbíteros e diáconos – os seus colaboradores – será anunciar com todo o empenho o Evangelho de Deus.  Será um arauto da fé. Contudo, nos diz Lucas Antônio Pinatti, um estudioso do clero, a simples presença de um sucessor dos apóstolos deve também ser um reflexo vivo da palavra divina que anuncia, pois só desta forma fará brotar as sementes da palavra. A esse propósito exortava São Paulo: “Prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. Sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério” (2 Tim 4,2.5).

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