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Opinião
Gilberto na intimidade

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia de Letras de Pernambuco

Publicado em: 24/06/2022 03:00 Atualizado em: 23/06/2022 06:49

Pedem-me para fazer a apresentação desse belo e incisivo livro, que o autor, o poeta, jornalista, professor e gestor cultural, Mario Helio Gomes, entrega ao ilustre público aqui presente. Trata-se de Gilberto na intimidade, um título desde já suscetível de aguçar nossa curiosidade. E, mais que isso, nos leva a assumir, mesmo sem ser virtualmente, aquele desejo que o poeta Alfred de Musset, nos tempos do Romantismo, declarava ser a expressão da vontade de todo mundo: Eu queria ser aquele senhor que está passando (Je voudrais être ce monsieur qui passe).

E nós leitores de Gilberto e de Mário, desde logo nos perguntamos o que teria levado este último a buscar penetrar, em perigosa aposta literária, um aspecto do universo gilberteano, que o autor de Casa Grande e Senzala sempre revelou ao leitor mais perspicaz: aquele que lê entre as linhas, e mais que lê, desconfia, inventa, imagina o erotismo que grande parte da produção gilberteana, de caráter mais científico – sociológico, histórico – nunca escamoteou. Isto é, a expressão das relações de dominação, de poder, quando não de sadismo, patentes no contato íntimo dos amos das casas grande com seus ou suas subordinadas. E não apenas os senhores, mas também as sinhás moças ou mais velhas, virtuais ou não, com os africanos de pele escura, que traziam nos corpos suados  e proibidos, o mistério da África distante.

O livro de Mário Helio, imagino, mergulha na revelação deste mundo, com o qual convive Gilberto, sentado na poltrona habitual, uma perna sobre um lado do assento, descrevendo seu objeto de estudo, seu objeto de desejo. A intimidade de Gilberto, tal qual nos entrega Mario Helio, vai pois, além da cachaça de pitanga que o sociólogo oferecia aos visitantes, além da afeição que sempre prodigalizou a dona Madalena, aos filhos e netos, mas igualmente a nós leitores, que nunca nos cansamos de admirar e nos deleitarmos, com seu saber de experiência feito, com sua arte- de cientista, de criador, para não dizer, de verdadeiro romancista?

Muito agradecemos a Gilberto, por estar sempre entre nós. E muito agradecemos a Mário, por este livro, que estava fazendo falta na extensa bibliografia que nos remete ao sempre merecidamente lembrado Mestre de Apipucos.

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