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Opinião
Transplante em hepatite misteriosa

Cláudio Lacerda
Cirurgião. Professor da UPE e da Uninassau

Publicado em: 26/05/2022 03:00 Atualizado em: 25/05/2022 22:50

Na última sexta-feira, realizamos, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco, um transplante de fígado em caráter de urgência, num caso de hepatite fulminante de origem desconhecida.

Trata-se de uma adolescente de 14 anos, residente em Ibimirim, atendida inicialmente em Arcoverde e depois em Caruaru, de onde foi encaminhada para o Recife. Na semana anterior começara a sentir sonolência, inapetência, febrícula e icterícia. Chegando ao Recife na quarta-feira, rapidamente entrou em estado de coma, sendo intubada e levada à Unidade de Terapia Intensiva. Face à gravidade do caso e à evolução galopante, indicamos transplante de fígado e solicitamos doador com prioridade nacional, sabendo que ela provavelmente não sobreviveria por mais de dois dias sem a cirurgia.

Na madrugada da sexta-feira, o Sistema Nacional de Transplantes identificou um doador compatível no Paraná: um rapaz de 30 anos com morte cerebral por trauma de crânio. A família doou os órgãos, uma equipe de Curitiba fez a captação e um avião da FAB trouxe o fígado para o Recife. Chegou ao hospital às 9h30 da sexta-feira, momento em que a cirurgia teve início, terminando no final da tarde.

A garota evoluiu bem no final de semana, acordando do coma, com sinais de bom funcionamento do fígado implantado. Hoje já conversa e se alimenta de líquidos. Esperamos que o exame do órgão doente retirado confirme o diagnóstico presuntivo de Hepatite Fulminante de Origem Desconhecida e que a ciência descubra o vírus responsável o mais breve possível e, consequentemente, a sua vacina. E que, nas próximas semanas, a linda garota retome a sua vida plena, no seio da sua família.

Parabéns aos colegas do Hospital Mestre Vitalino, de Caruaru, pela indicação precisa do transplante, em tempo hábil. Parabéns aos que fazem o Hospital Oswaldo Cruz, em especial à equipe da UTI pediátrica. Bem haja a família do doador, lá do Paraná, que permitiu a doação. Bem haja a equipe de transplantadores de Curitiba, que, no meio da noite, se dispôs a realizar a captação e nos enviar o fígado. Bem hajam os que fazem a FAB, o Sistema Nacional de Transplantes e a Central de Transplantes de Órgão de Pernambuco, por viabilizarem o transplante.

Sonho que um dia todas as crianças brasileiras sejam tratadas assim, para nunca mais ouvir que “o Brasil não tem jeito”!

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