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Opinião
Meus heróis desaparecidos

Vladimir Souza Carvalho
Membro das Academias Sergipana e Itabaianense de Letras

Publicado em: 28/05/2022 03:00 Atualizado em: 28/05/2022 00:00

Leônidas de Sirindó, rosto redondo, cara de manso, o riso sempre presente, no ombro, um saco, que parecia vazio.  Celina meia-garrafa mudava os costumes introduzindo a minissaia, cara de espanto, a andarilhar pelas ruas. Bobis, com um sapo morto pendurado na mão, batia a cidade inteira, o filho no seu pé, sem idade para avaliar os fatos, só seguindo a mãe. Airton de Firmino contava a história fantástica da esposa que o colocou para fora de casa por causa de um homem, que também dormia com sua filha o miserável desrespeitador dos lares. Nem tinha esposa, nem filha, mas acreditava no que dizia. Tonho doido caminhava pelas ruas, um dos pés gastando mais a alpercata do que o outro, cigarro contínuo nos dedos, o cuspe caindo pelo canto da boca. Num dia de inspiração, fez uma filha, cujo paradeiro se desconhece. E qual era o nome daquele que, apenas de bermuda ou calça rasgada, sem camisa, caminhava o dia inteiro pelas ruas, sem olhar para ninguém? O que dizem é que tudo foi consequência de uma surra dada pela Polícia. Zé Doidinho, os dentes aparecendo em um só sorriso, era sumamente respeitado. Depois, quando eu já não integrava o corpo de alunos do ginásio, o vi feliz, fardado, num desfile de Sete de Setembro,  tomando conta dos alunos. E Zé Preto, o que fazia quando estava na cidade?

Entre eles, arrolo o nome de Renato Catanha, me recordando do aviso que papai recebeu, da Rádio Liberdade, o chamando para Aracaju, porque vovô Zeca estava passando mal. Alô, alô, Jubal Carvalho, em Itabaiana, venha com urgência. E papai foi, carro de praça fretado, e, lá chegando, vovô Zeca estava bem vivo, se balançando na rede, o olho nos relógios,  vovó Brasília fazendo os afazeres diários. Papai voltou por cima do rastro. No dia seguinte, pela manhã, o segredo foi descoberto: Renato Catanha apareceu na loja morrendo de rir, pela presepada feita. Não havia confissão mais autêntica da façanha realizada. Onde estão hoje?

A maioria se foi para a terra dos pés juntos. Restou Airton de Firmino,  como semente, as ruas continuando ocupadas por outras figuras, a desafiar um psiquiatra. Fico de longe, me contendo para não encher o saco com um bocado de pessoas, aparentemente normais, que nunca bateram bem da cuca. Melhor não mexer em caixa de marimbondo nem descavar defuntos.

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