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Opinião
Como vamos nas Américas?

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 17/05/2022 03:00 Atualizado em:

Na semana passada, o crescimento relativo do PIB brasileiro foi um dos focos das discussões. A taxa prevista pelo FMI para 2022 apresenta o Brasil numa das piores posições nas américas (Norte, Sul e Central, incluindo Caribe). Somente o Paraguai e o Haiti, entre 37 países, deverão crescer menos do que o Brasil. Até na Venezuela (1,5%), é esperado um crescimento do PIB, este ano, maior do que o nosso (0,81%). A Argentina deverá crescer 4,0% e o Chile 1,53%. Esses dados mostram, sobretudo, que nossas mazelas este ano não são decorrentes apenas dos problemas internacionais, pois todos esses países estão no mesmo planeta que o Brasil. A mesma fonte de dados revela também que nós somos bons mesmo é em inflação. Somos o 8º país com a maior taxa esperada, sendo ela inferior apenas as da Venezuela, Argentina, e de vários países pequenininhos, normalmente conhecidos como repúblicas das bananas, como Suriname, Jamaica, Haiti, etc., (a maioria sequer exporta banana, mas leva a fama mesmo assim). Ou seja, o Brasil é destaque nas Américas pelo baixo crescimento do PIB e pela elevada inflação em 2022.

Desde 2019 (antes da pandemia) até 2022, somente a Venezuela, o México e a Bolívia deverão ter taxas médias de crescimento do PIB, nos três anos, menores do que a brasileira, segundo os dados e previsões do FMI. Além desses países, somente umas pequenas repúblicas, como Granada, Barbados, etc. também terão desempenho mais medíocre do que o do nosso país. A taxa média de crescimento da América Latina e Caribe juntos, nesse período, será superior à brasileira. Ou seja, o impacto econômico da pandemia terá sido mais forte no Brasil do que no resto da região. Essa ideia de recuperação em V e de que todo o mundo sofreu mais do que o Brasil, que os economistas do governo e principalmente o presidente pregavam, é só balela. São mentiras para enganar os bestas.

Com 3% da população mundial, o Brasil registrou 11% das mortes por Covid-19 no mundo. Isso mostra que essa ideia do presidente ir de encontro ao combate à pandemia custou muito caro ao nosso povo. Tal estratégia, adotada supostamente para minimizar o impacto econômico negativo, não funcionou. Morreram os brasileiros e foram-se os empregos, e também parte substancial da renda dos que aqui ficaram. A inflação, por sua vez, continua descontrolada. O IPCA de abril foi superior às previsões de mercado e mostrou um aumento da dispersão, entre setores, das elevações de preços, o que torna a inflação ainda mais difícil de debelar. Além disso, a credibilidade do governo está cada vez menor, pois temos um presidente que não hesita em fazer manobras para furar o teto dos gastos e um Centrão que faz grandes investidas contra o patrimônio público, como a imposição à sociedade de um fundo para financiar gasodutos e a alegria dos seus membros e amigos. Tudo isso, leva à queda nas perspectivas de crescimento econômico, embora o crescimento do setor de serviços, revelado semana passada, tenha surpreendido positivamente. Vale observar que as expectativas do FMI para a taxa de crescimento do PIB este ano estão entre as otimistas no conjunto de previsões que são divulgadas pela imprensa. Ou seja, vamos muito mal em relação aos demais países das Américas.

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