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Opinião
Bem-vindos ao futuro (II)

Rodrigo Pellegrino de Azevedo
Advogado

Publicado em: 25/05/2022 03:00 Atualizado em: 25/05/2022 06:00

Quando, no artigo anterior, fiz referência a uma metáfora acerca de uma cidade repleta de espelhos, e muitos imaginaram se tratar de realismo fantástico, não o fiz como tal, mas, ao contrário, o fiz para trazer a ideia do novo espelho do século XXI para compreensão, nossos celulares. Sim, a ideia não é original, pois a série Black Mirror já o fez com maior desenvoltura, entretanto, por outro lado, as sinapses da provocação, também levaram alguns a pensar sobre si mesmos e suas novas interfaces com o mundo, agora, mais ainda, com as cidades governos e negócios.

Lembro, como se hoje fosse, de uma matéria premonitória sobre o século XXI, no final do ano de 1999. Ela estampava indagação sobre o futuro com uma pergunta: “Então chegaremos ao século XXI e o futuro será como a série dos Jetsons ou o filme Blade Runner?”. As condições imaginadas no artigo ainda não contavam com o “big bang” disruptivo da aceleração das plataformas digitais como “locus” de aceleração da inovação.

Usando a mesma ideia do artigo, continuo a pensar que, se como os Jetsons chegarmos, teremos conseguido equilibrar o desenvolvimento tecnológico com a inclusão da humanidade a esse benefício, numa espécie de boa relação entre o estado e a iniciativa privada convergindo para o bem comum, mas se como Blade Runners, teremos falhado e muito. Penso que isso dependerá de como iremos lidar com a visão de futuro de cada ambiente/plataforma, seja estatal ou privada.

Não dá para muita teoria aqui, então vamos “direto ao ponto”: sem um projeto público de Governo Digital, não chegaremos a lugar algum. Tenho náuseas quando ouço o debate público atual dos nossos candidatos presidenciáveis. Nem uma única palavra, nem uma única a falar do tema. Dos poucos, ou melhor, o único que tratou do tema, enxerga o desenvolvimento da inovação tecnológica como uma oportunidade de mercado e desenvolvimento do país (correto), mas apenas isso. Ocorre que, sem revermos o papel do Estado, passando a pensá-lo como uma grande plataforma aberta a todos, correremos sério risco de mais uma vez, perdermos oportunidade de “um dia cumprirmos nosso ideal e sermos um imenso Portugal”.

Em 2008, Vivek Kundra, no Distrito de Columbia, Washington, na qualidade de Diretor de Tecnologia, apresentou um programa intitulado Apps for Democracy. Esse programa convidou desenvolvedores de software (hackers) para fazerem uso dos dados abertos compartilhados com o governo municipal, para, sob qualquer modo ou forma, com liberdade total, tentar tornar esses mesmos dados guardados pelo município, úteis para seus moradores, governo e empresas. Essa “gincana” tecnológica dos tempos atuais, concedeu aos participantes o prazo de 30 dias, para que apresentassem os resultados, mediante a oferta de um prêmio de 10 mil dólares.

Os resultados foram fantásticos e de todo tipo, alguns aproveitados – independentemente do prêmio – pelo próprio governo e outros pela iniciativa privada, mas todos eles serviram de base/plataforma aberta para o desenvolvimento de outras múltiplas experiências. Essa iniciativa teve tanto sucesso que suas versões vêm se proliferando pelo mundo, inclusive aqui no Recife, também. O fato é que, um passo adiante nesse tipo de desenvolvimento permitirá aproximarmos o futuro, com inovação que permita o compartilhamento dos benefícios com todos, daí a sugestão da criação de um Conselho Municipal de Proteção de Dados, suscitado no último artigo. Talvez o termo usado tenha sido anacrônico (Conselho); concordo. Plataforma Municipal de Inovação e Segurança Digital, talvez seja melhor. Nela, teríamos um espaço aberto, permanente, de uso contínuo no desenvolvimento de projetos e ideias para aplicação na nossa cidade. A propósito, a Unicap, tem, há mais de 10 anos, uma proposição similar, já compartilhada com o setor público, que dialoga com essa ideia, o Unimpact, em pleno desenvolvimento no âmbito acadêmico. Imaginem isso na cidade dos “Recifes de Corais”, plataforma biológica natural de sucesso e inovação mais antiga do planeta?

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