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Opinião
Uma lágrima para Joca, talvez o maior entre os maiores

Ricardo Antunes
Jornalista e ex-presidente da Santamante

Publicado em: 17/01/2022 03:00 Atualizado em: 17/01/2022 04:49

Tive insônia e não foi uma noite boa. Acordo com vários telefonemas e zaps sobre a partida do grande e inesquecível João Caixeiro de Vasconcelos Netto, aos 86 anos. Tive a alegria de ter conversado com ele no final de dezembro, num encontro às escondidas, no hospital onde ele estava internado.

Eu dei uma passada lá e consegui ir até a UTI. Conversamos por uns 20 minutos.

Não sabia que era nossa despedida, e ficamos de nos ver de novo no começo deste ano. Estávamos no dia 29 de dezembro de 2021. Um ano difícil por tantas perdas.

Fizemos planos para o documentário que estou fazendo sobre o “Santa Grande dos anos 70 e 80”. Ele estava lúcido e feliz. Iria fazer um pequeno procedimento cirúrgico e, na segunda semana de janeiro, já iria pra casa. “Mestre Ricardo, que bom lhe ver”, disse ele, que tratava todos dessa forma, quando, na verdade, ele era quem nos ensinava com sua sabedoria e sua temperança.

Em 2018, me chamou na sede do “Mais Querido” para uma surpresa: me presentear com três livros sobre a história do Santa Cruz. Quase fui às lágrimas.

Dois anos antes, ele havia me pedido para escrever um testemunho sobre nossa maior paixão. Eu fui presidente da Santamante, uma das torcidas organizadas, quando isso não era sinônimo de baderna nem de violência.

Generoso, com isso terminou me colocando na história do clube que tanto amei e frequentei na minha adolescência.

São três volumes com mais de 1.200 páginas e cerca de 2.003 imagens.

A obra foi chamada de Santa Cruz de Corpo e Alma e lançada em 2015, após o inédito título da Copa do Nordeste.

Esse era nosso Joca, como todos carinhosamente lhe chamavam.

Elegante em sua simplicidade, favorecia a todos com uma sabedoria imensa. No escritório do também amigo e tricolor André de Paula, onde trabalhava, chegava a ser unanimidade. Um querido que chegava sempre cedo para pegar no batente, mesmo podendo ficar em casa.

Incansável, ele não gostava de férias. Recebia os amigos em sua casa e era muito família. Dona Lurdinha (Luda, como ele chamava), e as filhas Cecília e Cândida, além do seu único neto, Joquinha, que o digam. Adorava receber, adorava uma festa e, claro, o carnaval de Olinda, onde morava.

São muitas histórias em 40 anos de convivência com ele. Numa delas, ele fez questão que eu assistisse a um jogo em seu camarote no Arruda, junto com os craques Lenivaldo Aragão, Ricardo Rocha e Henagio, um dos nossos ídolos dos anos 80, e que, pouco depois, viria a falecer em 2015.

Nosso maior tricolor foi tudo isso e muito mais, nas “Repúblicas Independentes do Arruda”. Articulador político, sem ser desleal nos pactos feitos; frio nos momentos de turbulência, sem parecer um “iceberg”; digno e humilde, sem deixar que as pessoas se aproveitassem do seu coração, que pulsava todo dia pelo Santa.

Não se tem, na história do futebol pernambucano, registro de um homem que dedicou mais de 60 anos de sua vida a um clube de futebol.

Sua paixão se mistura com o sentimento dessa torcida louca, fanática, que tem orgulho de desfilar com a camisa tricolor pelas ruas, mesmo nas fases mais difíceis

Sua história de amor, entrega e serviços prestados ao clube, se confunde com a própria história do Santa Cruz, o time do povo. Por isso, e por muito mais, ele vai virar estátua na sede do “Mais Querido”, para que as novas e futuras gerações não esqueçam do seu legado.

Talvez a melhor forma de definir sua vida e o pouco que contei por aqui se resuma nessa pequena frase:

Santa e Joca: Eternos

É isso.

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