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Opinião
Um homem, um coração

Elias Roma Filho
Advogado e jornalista

Publicado em: 17/01/2022 03:00 Atualizado em: 17/01/2022 04:49

Quando recebi a missão para escrever a biografia de Joezil dos Anjos Barros, senti como primeiro impacto a responsabilidade de fazer um relato que iria para as bibliotecas de um grupo de pessoas qualificadas com a responsabilidade de representar e destacar uma trajetória que já revelava a liderança profissional do homenageado, na série de perfis inspirada pela diretoria da Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP), com a missão de reconhecer o trabalho de figuras que valorizavam as representações sindicais de Pernambuco.

O título Um homem, um coração dado à única biografia de Joezil Barros foi sugerido pelo publicitário Arijaldo Carvalho, proprietário da Revista Movimentto. A sugestão foi aceita por unanimidade pelos diretores da AIP. Como muitos da minha geração, cheguei ao Diario para assumir uma vaga na editoria Regional, comandada por Vanessa Campos, que tinha a missão de informar notícias dos municípios pernambucanos. Quando estava prestes e receber um não do superintendente Gladstone Vieira Belo, Joezil entra na sala para o seu tradicional passeio do fim do expediente. E disse ao colega de Diretoria: “Olhe, Elias Roma é gente da melhor qualidade. Bom profissional e pau pra toda obra. A partir daí foi confirmado o meu ingresso na editoria Regional do Diario. Quando iniciei o perfil de Joezil Barros ele enfatizou que “foi no Jornal Pequeno onde dei meus primeiros passos no jornalismo. Lá, encontrei entre outros Sílvio Pessoa, Amilcar Dória Matos, José Maria Garcia, Afonso Ligório, José Hipólito Araújo, Cleto Beltrão, Ângelo D’Agostini e o fotógrafo Rubens”.

Em 1957, Joezil procurou a Redação do Dario de Pernambuco e foi integrado à equipe de Polícia,  a qual, segundo ele, o editor era o jornalista Paulo França, na época chamado de chefe da página. E também (ele Joezil) datilografava crônicas de Mário Libânio, que eram lidas diariamente na Rádio Clube.

Com a morte de Odacy Costa, Antônio Camelo e Nereu Bastos convidaram Joezil para assumir a gerência de Publicidade, cargo no qual ficou 21 anos. Depois em 1992 foi eleito membro do Condomínio Acionário dos Diários Associados. Uma das reportagens que, segundo ele, marcaram sua vida profissional foi a denúncia de um abatedouro clandestino que havia no bairro do Cordeiro, nas proximidades da sua residência. Depois foram surgindo novos furos de reportagens e prêmios conquistados.

Ele, na ocasião da nossa conversa, confessou que “sinto saudades do batente, lembro dos momentos de boemia na noite recifense, após o período de trabalho nas redações. Vivi a influência de nomes como Eugênio Coimbra Junior, Antônio Camelo, Edmundo Morais e Wladimir Calheiros...”

Quando indaguei sobre sua vocação para o mundo jurídico ele afirmou que “nas minhas atividades como juiz classista vivi uma oportunidade ímpar. Aprendi muito sobre os processos trabalhistas. Vi muita dedicação, profissionalismo e desejo de aplicar corretamente a missão da Justiça...”

O pai de Joezil, seu Antônio Mariano de Barros, a exemplo do meu, Elias Roma, haviam exercido as funções de motorneiro na Pernambuco Tramways, companhia inglesa que mantinha o transporte dos bondes em vários bairros do Recife.

Companheiro de dezenas de viagens pelo Brasil e diversos países, eu o chamava de “Josebias”. Na ocasião me revelou ter nascido “numa casa humilde do bairro da Torre. Meu pai era condutor de bondes da Pernambuco Tramways, profissão penosa e que exigia grande esforço físico. Deixei o Colégio Americano Batista pelas faltas constantes às aulas. Quando fui trabalhar com meu pai, que já havia saído da Tramways...”

O perfil contando momentos da vida de Joezil, lançado pela AIP em 1999 na Blue Angel do Benfica, reuniu um grande público da sociedade pernambucana. Com a presença de autoridades, políticos, ex-companheiros e comunicadores, repercutindo pelo exemplo de vida que, naquela ocasião, ele já representava.

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