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Opinião
A difícil arte da prática democrática

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 22/01/2022 03:00 Atualizado em: 23/01/2022 22:56

A democracia tornou-se um sistema de governo cuja defesa virou um mantra entre todos os políticos, inclusive os autoritários. Sua concepção envolve ouvir e respeitar ideias divergentes, além de aceitar as escolhas da maioria ou respeitar os direitos das minorias decorrentes de regras pré-pactuadas pela maioria. A formação psíquica humana, contudo, não foi para sermos democratas. Como bem apresentado por Sigmund Freud em seu livro A Civilização e seus Descontentes, o ser humano tem intrinsicamente a tendência imediata a reagir fortemente contra aquilo que não vai em direção à satisfação de seus desejos. Ou seja, impor a sua vontade aos demais é sempre o primeiro impulso humano. As regras civilizatórias de convivência impedem tais atitudes. Todavia, se houver oportunidade e força suficiente, a imposição será sempre a alternativa escolhida. Retaliações possíveis e inibições a partir do superego (pais, religião, leis e normas sociais) são os instrumentos formados a partir do processo de organização social para evitar essa imposição. O mesmo psicanalista em o Futuro de uma Ilusão argumenta que o desenvolvimento da razão também pode levar à conformidade a regras de convivência social. A democracia entre elas. Ou seja, o primeiro impulso humano, contudo, é de não ser democrata. Essa seria produto da razão ou imposição externa.

O candidato líder das pesquisas tem recentemente apresentado algumas propostas do PT para a presidência. Isso tem causado reação daqueles que querem derrotar Bolsonaro, mas creem que algumas das propostas infantis do PT são inviáveis. Eles começam a temer uma possível gestão Lula a partir de 2023. Essas críticas são fundamentais no processo democrático, pois são declarações de discordância. No entanto, é bom lembrar que o ex-presidente é apenas uma liderança de um partido e por tal, sendo ele democrata, as ideias que apresenta para a sociedade no momento são as desse partido. Alianças futuras trarão novos agentes para a composição do programa de governo a ser apresentado à sociedade. Aí, o discurso do presidente deverá democraticamente se ajustar às preferências do novo conjunto formado. E, se eleito, novamente terá que ajustar suas políticas às preferências da maioria, incluindo também nessa composição as preferências dos que não voltaram nele. É assim que democratas ajustam suas proposições.

Querer que o atual candidato de um partido já antecipe o que serão as prioridades após composições, é achar que ele deverá atropelar a democracia. O atual presidente, raso como uma poça de água no asfalto, achou que era assim que funcionava. Insistiu persistentemente em tomar de assalto o poder. Mas, ao não conseguir, cedeu a uma maioria composta por representantes que buscam principalmente trazer para si um quinhão gordo dos recursos públicos. Mas aí ele esbarrou em outro problema. O Brasil precisa de um projeto maior do que dois ou três gritos de guerra que ele possuía e o principal deles era contrário aos interesses da maioria do centrão. No fim, eleito para combater a corrupção, terminou por desmontar quase toda a política anticorrupção do país. Sobraram apenas as benesses para militares, mais acesso a armas, liberalização dos desflorestamentos, proteção às fake news e fim da evolução positiva da educação, nesse caso tendo como objetivo satisfazer discursos conservadores. O resto virou mineração de interesses pessoais e corporativos, atividades que galgaram muito sucesso ao longo da atual gestão.

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