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Opinião
Os maiores pintores de Pernambuco

João Alberto Martins Sobral
Jornalista

Publicado em: 24/12/2021 03:00 Atualizado em: 24/12/2021 00:45

Cícero Dias: Nasceu no Engenho Jundiá, na cidade de Escada, em 1907. Foi um pintor, desenhista e ilustrador brasileiro, grande representante da pintura modernista do Brasil. Com 13 anos, embarcou para o Rio de Janeiro, onde foi interno no Mosteiro de São Bento. Ingressou nos cursos de arquitetura e pintura da Escola Nacional de Belas Artes, mas não os concluiu alegando que a escola o impedia de experimentar novos caminhos que não os da arte tradicional. Em 1931, numa exposição no Salão Revolucionário, da Escola de Belas Artes, expôs o polêmico painel de 15,5 metros de largura por 2 metros de altura, Eu vi o mundo... ele começava no Recife. A obra causou impacto pelo tamanho, pelas imagens oníricas e pelos nus ousados para a época. Agressores cortaram a parte chamada Mulheres Nuas e Ação e o painel perdeu três metros. Simpatizante do Partido Comunista, foi perseguido pela ditadura do Estado Novo e resolveu se mudar para Paris, onde conheceu Henri Matisse e Pablo Picasso, de quem se tornou amigo. Em 1942, durante a ocupação da França pelos nazistas, foi preso e enviado para a Alemanha. Assim que conseguiu a libertação, viajou para Lisboa, onde foi adido cultural da Embaixada do Brasil. Em 2000, inaugurou uma Rosa-dos-Ventos, estilizada, estampada no piso da Praça do Marco Zero, até hoje destaque no cartão postal do Recife. Em 2002, voltou ao Recife para o lançamento do livro sobre sua trajetória artística. Faleceu no seu apartamento na Rue Long Champ, em Paris, onde ele me recebeu por três vezes nas minhas idas à capital francesa. Fazia questão de mostrar a rede que ele usava, para, como me disse, matar a saudade de Escada. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Montparnasse, em Paris. Sobre a lápide, o epitáfio-manifesto: “Eu vi o mundo... ele começava no Recife”. Deixou sua marca como um dos maiores nomes da pintura brasileira.

Villares: Lauro de Vasconcelos Villares nasceu no Recife, em 1908. Foi um grande pintor, desenhista, caricaturista e escultor. A pintura e o desenho foram suas grandes paixões, que aprendeu com mestres como Telles Júnior e Eduardo Gadaut. Neste mesmo ano, depois que o pintor Nestor Silva viu alguns dos seus desenhos, lançou um desafio, afirmando que não conseguiria dominar a pintura a óleo. Villares em resposta preparou 20 telas com pinturas de excelente qualidade, retratando cenas do folclore, igrejas e casarios, levando-as para uma exposição na Galeria do Teatro do Parque. Trabalhou como desenhista da diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife junto com José Césio Regueira Costa, onde recebia as encomendas e as entregava completamente prontas. Fez várias ilustrações para o Diario de Pernambuco, algumas, em datas especiais, ocupando toda a primeira página. Seus quadros hoje se encontram em locais tão diversos quanto Grécia, França, Estados Unidos, Vaticano. Em 1972, a Comissão de História do Exército encomendou a Villares 49 aquarelas destinadas ao Plano de História do Exército, em audiovisual. Esta coleção em lâminas cartonadas representa um rico documentário histórico. Morreu em 1987, deixando seu nome entre os grandes da arte pernambucana.

Wilton Sousa: Nasceu no Recife em 1933, destacou-se como pintor, gravador, escultor, tapeceiro, cenógrafo e cronista de arte. Criou importantes espaços de arte, como o Ateliê Coletivo e a Academia de Belas Artes, na Rua Velha, juntamente com seu irmão Wellington Virgolino e Abelardo da Hora. Dirigiu a Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães e o Museu Murilo LaGreca. Foi, ainda, vice-presidente da Escolinha de Arte do Recife. Era membro da Academia de Artes e Letras no Recife, da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro. Inovou com uma técnica própria chamada monotopia, à base de vidro e tinta óleo. Multifacetado, chegou a trabalhar como centurião no espetáculo da Paixão de Cristo. Foi casado do Tânia Trindade, que foi uma bailarina de destaque. Morreu em 2020, aos 87 anos, deixando um legado de mais de mil obras espalhadas não só por Pernambuco como também por países como França, Itália, Estados Unidos, Argentina e Holanda.

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