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Opinião
A conta que estamos pagando pelos erros do governo

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 04/12/2021 03:00 Atualizado em: 03/12/2021 23:07

A gestão do governo brasileiro atual ascendeu ao poder com uma agenda econômica liberal, prometendo racionalização dos gastos públicos, equilíbrio fiscal e liberalização econômica. Esse discurso foi colocado junto a uma agenda conservadora em costumes e autoritária na política. Na primeira, destacavam-se a oposição a tudo o que foi avanço recente da civilização ocidental, como respeito à comunidade LGBT, igualdade de gênero e racial. Na agenda autoritária, defendeu a subordinação do Judiciário e Legislativo ao Executivo, mais espaço a arbitrariedades, mais controle da imprensa e de órgãos públicos, entre outras barbaridades. Ao longo do tempo, descobriu-se que o que o presidente de fato queria era um palanque permanente para suas picuinhas, intrigas e massagem no seu ego. Nessa sua agenda particular, ele até tem sido bem-sucedido, mas a um custo elevado a sua imagem. Somente os tolos continuam a apoiar e promover essa agenda pessoal.

A agenda econômica liberal não funcionou. O presidente, pessoalmente, liderou a oposição a reformas importantes, como a da previdência, administrativa e mesmo a reforma tributária. Reduziu, tremendamente, o impacto e justiça da reforma da Previdência ao defender interesses corporativos específicos, sendo os dos militares os mais alarmantes. Seus interesses eleitoreiros imediatos e associação com os “caras do mau” no Congresso Nacional acabaram com quaisquer perspectivas de promoção do controle fiscal. Sua sensibilidade a grupos de interesse específicos, por sua vez, corroeu a agenda de liberalização econômica também nas relações internacionais.

O resultado desse fracasso retumbante é chegar a 2022 com perspectiva medíocre de crescimento do PIB. As estimativas do mercado apontam para taxas inferiores a 1% e muitos analistas já sugerem que deverá haver queda desse indicador. Isso num cenário mundial de crescimento global de cerca de 5%. No 3º trimestre, a taxa de crescimento já foi negativa em 0,1%, segundo o IBGE revelou essa semana. Nos últimos 12 meses, o crescimento foi de apenas 3,9% (IBGE), abaixo do que ainda se prevê para esse ano (4,8%). Os dados sobre confiança dos empresários, dos consumidores e outras estatísticas do gênero sinalizam para um quarto trimestre também medíocre. Nesse caso, esses 4,8% talvez não sejam atingidos. De 51 países que já liberaram estatísticas de crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2021, o Brasil teve o sétimo pior desempenho e possui o 19º pior desde o início da pandemia (em comparação ao primeiro trimestre de 2020), segundo dados do Valor Econômico. Ou seja, além da propaganda oficial, baseada em mentiras, o desempenho efetivo da economia brasileira chega a ser ridículo.

Contas simples, com PIB total dos últimos 4 trimestres dividido pela população do 3º trimestre de 2021 e uma taxa de crescimento do PIB de 3,0% sacrificada pela incompetência do atual governo, indicam uma perda média, por cada brasileiro, de quase R$ 1.200,00, somente em 2021. A fragilidade de nossa economia e o desmando preponderante no país estão tão sérios que conseguimos ver o EMBI+, índice que mede o risco Brasil desde 1994, crescer desde maio de 2021, período em que a pandemia apresentou uma tendência de longo prazo de arrefecimento no país.

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