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Opinião
Precisamos cuidar do coração das mulheres

Tomas Mesquita
Cardiologista do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila

Publicado em: 26/11/2021 03:00 Atualizado em: 25/11/2021 22:53

As doenças cardiovasculares em mulheres ultrapassaram as estatísticas de câncer de mama e de útero. A falta de prevenção e a demora em identificar o problema contribuem para esse alto número. Também elevam o risco a ausência de atividade física e dieta inadequada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças do coração respondem por um terço das mortes de mulheres no mundo, com 8,5 milhões de óbitos/ano, ou seja, mais de 23 mil por dia. Entre as brasileiras, principalmente acima dos 40 anos, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte, a maior taxa da América Latina.

Apesar de estamos falando sobre a saúde da mulher, os cuidados que elas devem tomar em relação ao coração são os mesmos a serem adotados pelos homens, sempre pautados em uma boa alimentação, atividade física e hábitos adequados, evitando o fumo e não abusar da ingestão de bebidas alcoólicas. A principal particularidade do coração feminino é que as artérias coronárias, responsáveis pela irrigação do músculo cardíaco (miocárdio), são mais finas, o que leva a uma diminuição do fluxo sanguíneo em relação ao coração masculino.

Outra questão que merece atenção é a cardiomiopatia do estresse, conhecida como síndrome do coração partido (descoberta há mais de duas décadas no Japão), aparece com maior frequência nas mulheres. De 85 a 90% dos casos da síndrome do coração partido acontecem em pacientes do sexo feminino. A doença tem como característica uma disfunção transitória do coração (ventrículo esquerdo) causada por descarga excessiva de catecolaminas na corrente circulatória que pode ser desencadeada, geralmente, por estresse.

A mulher dos dias de hoje tem uma rotina totalmente diferente daquelas que viviam nos séculos passados. Atualmente, as mulheres assumem as mais diversas funções, cuidando da casa, dos filhos e têm ainda outras atribuições. Os hábitos de vida também mudaram, com maior consumo de álcool e tabaco. O percentual de hipertensão, obesidade e sobrepeso é maior entre as mulheres. Por outro lado, as mulheres são as que mais procuram os médicos e se cuidam mais. Assim, é fundamental falarmos sobre a importância dos cuidados com a saúde da mulher. Afinal, prevenção é vida.

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