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Opinião
Do Natal a troca de olhares

Vladimir Souza Carvalho
Membro das Academias Sergipana e Itabaianense de Letras

Publicado em: 27/11/2021 03:00 Atualizado em: 27/11/2021 07:00

Do Natal, os festejos, a roupa nova para ir até a feirinha, ainda pela tarde, e, depois, pela noite. A partir de certa idade, já cultivando bigode, a expectativa do baile na Associação Atlética. A feirinha era e sempre foi uma festa, na mesma paisagem de sempre. Os barcos, divididos em dois formatos, os grandes e os pequenos, os primeiros batendo em galhos de árvores dos pés de figo,  os balanços – que nunca me atraíram -, o carrossel com carros diminutos que só crianças ocupavam, os trivolis – um de Miguel Fagundes -, e a onda, - bem em frente ao bar de João Marcelo, - era ponto de encontro, por ter se tornado o local das paqueras e de vislumbrar um pouco de pernas que aparecia para a alegria da rapaziada curiosa, em meio a saias e vestidos, quando um lado subia mais do que o outro, em época em que nenhuma menina, se transformando em moça, vestia bermuda na rua. Da onda, que se movia por força de braços, a empurrá-la para a frente,  lá em cima, não tão alto, se avistava a multidão que se formava a frente, de todos os lados, por alguns minutos, até quando o dono dava o sinal do tempo a se esgotar, a onda perdendo velocidade, até ir parando, começando a maratona de descida, momento do lance esperado, ó tempos em que as pernas das meninas andavam tão escondidas.

Destaque para a troca de olhares que a distância alimentava. Os olhos diziam tudo sem a boca se abrir para uma só palavra. Os namoros nasciam assim, até que o rapaz se avizinhava da bem amada, nessa mesma noite ou depois, o caminho já aberto pela energia que o olhar transmitia. A Praça da Santa Cruz, na sua primeira parte, retângulo que os pés de figos traçavam, era o palco, e, ali, de roupa nova, dinheiro pouco no bolso, me integrava aos  festejos natalinos, como o fazia, desde quando para lá ia seguro na mão de papai, vendo a meninada lhe pedir as festas, papai respondendo que as festas estavam ali a frente, sem abrir o bolso para nenhum agrado. Adulto, antes que a feirinha mudasse de local, ficou a troca de olhares, um sorriso lindo da calçada, perto da onda, reiterado em outras ocasiões, a timidez a obstar um passo a frente, o futuro a ditar destinos diferentes. Ainda hoje, de quando em quando, os mesmos olhares despontam na mente, fantasma insepulto a vir à tona mexer no que nem cinza mais resta

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