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Opinião
Semeador de alegria

Ronan Drummond A. Ribeiro
Jornalista

Publicado em: 18/10/2021 03:00 Atualizado em: 16/10/2021 07:01

Homenagem deve ser feita à pessoa em vida, não depois que ela morre.

Às vésperas do Dia da Criança, me lembrei de um personagem icônico, que há 45 anos vem cumprindo a missão de levar felicidade a crianças e também a adultos, que já foram crianças. Milhares de pessoas já se alegraram com essa figura que vive no imaginário infantil.

Quem não conhece e já não brincou com Palhaço Chocolate? Seja nas suas apresentações no Teatro do Parque ou no Teatro Boa Vista, – que ele arrendou e recuperou – seja nos shows do Dia da Criança, no Parque Treze de Maio, ou nas inúmeras apresentações que fez em praça pública na maioria dos municípios pernambucanos.

Seus shows no Dia da Criança reuniam anualmente milhares de pessoas no Parque Treze de Maio. Era impressionante o número de gente. Certa vez, por volta das 18 horas, eu estava nas proximidades do Treze de Maio, no encerramento de um concurso de bandas e fanfarras, quando chega o governador Eduardo Campos, que indaga: O que está havendo? Passei por aqui às 7h30 da manhã e o parque estava lotado, volto agora e encontro uma multidão? Eu respondi: É o nosso bom e velho Palhaço Chocolate, governador.

Em parceria com a TV Globo no Recife, Chocolate levou seu show musical, por intermédio do Estação Brincar, aos mais de 50 municípios pernambucanos que recebem o sinal da emissora. Por anos ancorou o show de chegada do Papai Noel, nas instalações da Polícia Militar, no Derby, na abertura do Natal Solidário. Ali era colocada uma árvore para recebimento de doações destinadas aos mais necessitados. Durante quase um mês ele era visto, dia e noite, conduzindo os trabalhos de recebimento de brinquedos, alimentos e roupas. Trabalho que varava a madrugada.

Na manhã da véspera do dia de um dos Natais, recebemos a notícia de que os brinquedos doados para as crianças assistidas pela Fundação Terra, em Arcoverde, não seriam suficientes para atender a demanda de uma vila rural. Na mesma hora, sem se incomodar com os mais de 300 Km de distância, ele se propôs a fazer a entrega pessoalmente. Se caracterizou, chamou Jô Ribeiro, o saudoso Papai Noel, e pé na estrada. Foi uma alegria só quando o palhaço e o Papai Noel chegaram à pequena vila. Debaixo de um sol inclemente, das duas horas da tarde daquela véspera de Natal, ambos fizeram a festa e a alegria da criançada em pleno Sertão pernambucano. À noite ,ele já estava com todo pique, no Derby, regendo o recebimento e a entrega de doações natalinas a centenas de entidades. Energia é o que não lhe falta.

Sua responsabilidade com seus compromissos chega às raias da irresponsabilidade. Certa ocasião, ele estava com show agendado para a cidade de Glória do Goitá, marcado para um domingo. Na quarta-feira anterior ele teve de se submeter à retirada de material do pulmão para análise. Durante o procedimento sentiu uma picada e dor intensa no local puncionado. Atendido imediatamente, foi constatada uma pequena perfuração do pulmão, que poderia se agravar. A recomendação médica era para que permanecesse alguns dias em repouso absoluto. Não se conformando com essa orientação, ele perguntou ao médico se teria alta para o show no domingo. Recebeu um categórico não. Diante de tanta insistência, o médico disse que não se responsabilizaria. Amigos e familiares tentaram demovê-lo da ideia. De nada adiantou. Sua justificativa era de que jamais faltou a um compromisso, que a chamada estava no ar e não desapontaria as crianças, seu público principal. Para conseguir alta médica, assinou um documento, se responsabilizou e foi fazer o show. Durante a apresentação começou a sentir dores e não estava bem, mas foi até ao final. Dali saiu direto para o hospital, onde constataram que o furo havia se expandido. Por sorte ou por milagre, segundo o médico, seu pulmão não foi esvaziado como um balão.


Esse é o perfil de Ulisses Dornelas. Cidadão comum. Pai do advogado Ulisses Junior e da bailarina clássica Tâmara. Professor de escola pública estadual. Multiartista, fez do Palhaço Chocolate o seu alter ego, para cumprir a divina missão de plantar felicidade no coração das crianças. Um patrimônio de Pernambuco. Uma vida dedicada a semear alegria e a colher sorrisos.

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