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Opinião
Aos professores

Paulino Fernandes de Lima
Professor e defensor público do Estado de Pernambuco

Publicado em: 15/10/2021 03:00 Atualizado em: 15/10/2021 05:44

15 de outubro é a data escolhida para se celebrar o Dia do Professor. Entretanto, presentemente, em nosso país, observa-se, cada vez mais, a desimportância e o tratamento que vem sendo dado à profissão mais importante de todas, posto que formadora das outras.

Essa constatação se torna ainda mais preocupante, quando o interesse pelo exercício do magistério vem diminuindo, velozmente, a cada ano, segundo o relatório inédito publicado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em parceria com o Todos pela Educação” acessível em:  https://todospelaeducacao.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2021/06/A-Educacao-no-Brasil_uma-perspectiva-internacional.pdf. Conforme o levantamento feito nesse estudo (de recomendável leitura), de acordo com o Pisa 2018, apenas 2% dos jovens brasileiros de 15 anos desejavam se tornar professores (OCDE, 2019).

O relatório apontou alarmantes discrepâncias, não só nos dados de comparação entre o Brasil e outros países, mas também internamente, em relação aos níveis federal, estadual e municipal; ou quando analisa a eterna diferença entre ensino público e privado.

Para piorar a situação, os cursos de formação inicial de professores (FIP), lamentavelmente, acabam sendo os mais procurados, mais em razão da facilidade de acesso, do que por interesse pela carreira docente. A razão principal, que é de saber público e notório, para infelicidade geral da Nação, dormita, cronicamente, na questão salarial.

Já quando nossa situação é comparada com a de outros países, cujo desempenho e, conseguintemente, desenvolvimento na educação, é invejável, a angústia aumenta. Finlândia, China e Cingapura adotam rigorosos critérios de seleção para cursos de formação de professores, que vão desde exigências de desempenho acadêmico, a avaliações para se aferir a aptidão dos candidatos ao exercício da docência. Essa seletividade, ao invés de afastar a procura pelos cursos, torna-os ainda mais caros e prestigiados. Talvez resida aí uma das causas por que no Brasil, além da falta de incentivo, a atração pela carreira, só decresce.

A solução para que o país se reerga, desse assombroso quadro em que se acha inserido, há tempos, seria tão simples, se houvesse um mínimo de boa vontade de nossos gestores públicos, já que é imperiosa a necessidade de se estabelecerem políticas de fomento e de incentivo concretas para a carreira, a começar pelo desfazimento da inversão de valores por que o nosso País é conhecido. Qualquer criança, ainda nos anos de incipiente aprendizado, já detecta que a profissão de professor é, escandalosamente mal remunerada, em comparação com outras, cujo grau de complexidade, para o exercício, ficam muito aquém da do magistério.

Como, todavia, uma das maiores características de um professor é acreditar e fazer acreditar em um futuro e, portanto, em um mundo melhor, digo aos colegas que nunca desistam de colocar seu tijolinho na construção do saber.

E que tenhamos vida longa e digna no porvir!

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