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Opinião
Recife resiliente?

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 25/09/2021 03:00 Atualizado em: 24/09/2021 21:14

A pandemia deve deixar marcas importantes. Uma das questões levantadas é da concentração espacial da população. Alguns argumentam que haverá migração das cidades grandes para cidades menores, puxada pela possibilidade do home office para pessoas mais qualificadas e pela expansão do e-commerce. Ambos os fenômenos permitiriam maior dispersão populacional sem abrir mão de duas vantagens importantes das cidades grandes, que são o acesso mais fácil a empregos de melhor qualidade e a mercados mais diversificados de bens e serviços. A pandemia impulsionou essas duas mudanças culturais e tecnológicas. Alguns autores, como Edward Glaeser (Departamento de Economia, Harvard University) em artigo deste mês no NBER, argumenta que as cidades deverão recuperar sua tendência anterior, sem serem muito afetadas pela pandemia. Ele cita, inclusive, várias experiências históricas passadas em que pandemias ou desastres físicos (incêndios, erupções vulcânicas, guerras, etc) não afetavam definitivamente a tendência de crescimento das cidades, que eventualmente se recuperaram.

Em Pernambuco, já há um movimento, desde 2011, de migração em direção às cidades de médio porte, principalmente aquelas fora da Região Metropolitana do Recife (RMR). Enquanto a população do estado cresceu 9,14%, essas cidades (de população maior do que 80 mil habitantes em 2021 e fora da RMR) cresceram 14,4% entre 2011 e 2021. Se incluirmos as cidades da RMR, mas ainda excluindo as três grandes, Recife, Olinda e Jaboatão, esse crescimento cai para 13,24%. Essas três maiores cidades cresceram apenas 7,43%, abaixo do total do estado. As cidades com população inferior a 80 mil habitantes, por sua vez, cresceram 7,89%, também abaixo da média do estado. Mesmo antes da pandemia, já havia essa tendência à concentração da população do estado em cidades de porte médio, principalmente fora da RMR. Vários fatores podem explicar esse fenômeno. Entre eles cabe destacar a expansão do ensino superior, da infraestrutura urbana e de colégios de ensino médio de melhor qualidade. Surgiram nelas shopping centers, cinemas e outras estruturas de laser, além de faculdades e universidades. O fato de terem menores custos de vida e menos violência, certamente, também contribui para explicar essa tendência. As três grandes do estado, por sua vez, não melhoraram suas infraestruturas tanto quanto essas cidades. Mas persistiram na sua concentração de violência e custo de vida elevado.

Uma outra estatística relevante para a análise do problema é a percepção de que a população de Pernambuco, nesse período, cresceu menos do que a brasileira, cujo aumento foi de 10,88%. Isso significa que nosso estado perdeu competitividade econômica e/ou agradabilidade relativa como local de moradia. Então, qualquer estratégia de longo prazo do governo estadual deve observar não só a expansão relativa dos portes de cidade no estado, mas também essa comparação com o resto do país. Talvez por isso, tornar o core da RMR (as três maiores) mais competitivo e atraente ainda seja uma estratégia importante. Ou seja, Recife pode ter que perder pouco nessa reacomodação espacial, se houver políticas públicas adequadas.

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