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Opinião
Cientistas pernambucanos que marcaram uma época

Marcus Prado
Jornalista

Publicado em: 16/09/2021 03:00 Atualizado em: 15/09/2021 22:10

Vai demorar, talvez, algumas décadas ou para sempre, para o Recife reviver uma fase tão fértil e nacionalmente conhecida como a capital da inteligência científica e criativa do país, não só nessa esfera do conhecimento e do saber, mas também da criação literária, nos campos do Direito e da historiografia. Refiro-me às primeiras décadas do século passado como a mais ilustrativa de todas. Basta citar os mais de 30 cientistas que deram ao Brasil o reconhecimento dos centros mais avançados nas áreas das ciências exatas, da terra e da engenharia; das ciências humanas e sociais; das ciências biológicas e da saúde, vultos que, já naqueles anos, cuja fama já tinha ultrapassado as nossas fronteiras. Vivia-se aqui uma fase de ouro, sem   igual nas outras capitais. Recife falava orgulhosamente para o resto do Brasil nessas complexas vertentes do conhecimento e da inteligência.  A cidade também dos poetas, escritores, músicos e pintores, (que serão citados noutra oportunidade) vivia um tempo privilegiado com a construção do conhecimento, quando se mantinha a chama da investigação e das descobertas, muito além das meras aparências.

Nesse registro, tentativa de síntese com o risco de omissões, não seria exausto   citar nomes quase todos esquecidos, salvo em raras oportunidades, uma delas, no notável Espaço Ciência, ou em  salas  das nossas universidades. São eles, nas Ciências Exatas, da terra e engenharias: José Leite Lopes, Gilberto Osório de Andrade, Rachel Caldas Lins, Mário Schenberg, Luiz de Barros Freire, João de Vasconcelos Sobrinho, Leopoldo Nachbin, Joaquim Maria Moreira Cardoso, Jaime de Azevedo Gusmão Filho, Ricardo de Carvalho Ferreira, Ruy Luís Gomes, Paulo José Duarte, Sebastião Simões Filho, Don Carlo Borghi, Fernando de Souza Barros, Roberto Burle Marx. Nas Ciências Humanas e Sociais: Gilberto de Mello Freyre, Paulo Reglus Neves Freire, Manoel Correia de Andrade, Josué Apolônio de Castro, Celso Monteiro Furtado, Lourival Vilanova, Luiz Pinto Ferreira, Renê Ribeiro, Waldemar Valente, Silvio Rabelo, Estêvão Pinto, Aloisio Bezerra Coutinho, Pelópidas Silveira, Olívio Montenegro, Pe. José Nogueira Machado, Pe. Paulo Gaspar de Meneses, Nelson Saldanha, Gláucio Veiga, Zeferino Rocha. Nas Ciências Biológicas e Saúde: Aluízio Bezerra Coutinho, Nelson Ferreira de Castro Chaves, Fernando Jorge Simão dos Santos Figueira, Augusto Chaves Batista, Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho, Ageu de Godoy Magalhães, Naíde Regueira Teodósio, Oswaldo Gonçalves de Lima, Dárdano de Andrade Lima, Mario Lacerda, Renê Ribeiro, Frederico Simões Barbosa, Adonis Reis Lira de Carvalho, Suely Lins Galdino, Amaury Domingues Coutinho, Salomão Kelner. É indiscutível a marca deixada por essa geração de cientistas, na inteligência pernambucana,

Gostaria, em outra oportunidade, de alongar-me sobre dois vultos pernambucanos da minha maior admiração, como os cientistas: Carlos Frederico Maciel, meu saudoso amigo, desde a época do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, em Apipucos, discípulo de Gilberto Freyre, leitor atento de John Dewey, do pragmaticista norte-americana Charles Sanders Peirce, filósofo, astrônomo, físico, matemático, químico, biólogo, geólogo, psicólogo experimental, tido como a mente mais brilhante da América, foi quem arquitetou a ciência do signo em terras americanas.  E sobre outro pernambucano, o físico Mário Shenberg, que foi colaborador presencial de Albert Einstein, no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton.  Shenberg foi o maior cientista brasileiro do seu tempo, ao lado de Cesar Lattes, tendo iniciado suas primeiras descobertas no campo da Física durante solitárias caminhadas semanais pelas areias da Praia dos Milagres, em Olinda, lugar preferido de Clarice Lispector nos seus “mais felizes anos de vida”. 

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