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Opinião
A Escola de Sargentos no Grande Recife

Gregor de Rooy
Sociólogo e doutorando em Ciências Militares na ECEME

Publicado em: 02/08/2021 03:00 Atualizado em: 02/08/2021 05:42

Em 2018, a empresa suíça Ruag assinou um termo de compromisso com o Governo de Pernambuco para a instalação de uma fábrica de munições. Devido à situação da segurança pública no Brasil, motivo alegado pelos suíços, o projeto não avançou. Em 2019, o estaleiro Vard Promar, em Suape, perdeu a concorrência para um projeto que atenderá à Marinha. A Sociedade de Propósito Específico, Águas Azuis, foi selecionada para construir quatro fragatas em Santa Catarina no valor aproximado de US$ 1,6 bilhão. Em 2021, Pernambuco, novamente, tem uma oportunidade de auxiliar o Brasil na sua necessidade de equilibrar a distribuição dos elementos estratégicos necessários à mobilização e defesa nacional.

A instalação de uma Escola de Sargentos no Grande Recife traria uma salutar diversificação a uma força terrestre concentrada nas regiões Sul e Sudeste, geraria empregos diretos e indiretos em uma região que tem recebido poucos investimentos desta natureza e, mais importante, atenderia, parcialmente, à necessidade do país de ampliar seus contingentes nas regiões Norte e Nordeste.

Diferentemente do século 19, quando o Brasil ampliou sua malha militar no Sul e sul do Centro-Oeste para dar conta das instabilidades na Bacia do Prata, hoje é preciso observar o contínuo dinamismo geopolítico proveniente do Hemisfério Norte. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Nordeste se destacou como parte do amplo teatro de operações de guerra, havendo abrigado uma base naval e uma aérea dos E.U.A no Rio Grande do Norte e o QG da sua 4ª Frota Naval no Recife. A região também foi reconhecida pelo geopolítico e general Golbery do Couto e Silva como essencial plataforma aeronaval na possibilidade de outro contencioso mundial durante a Guerra Fria; relevância que retorna com as tensões entre os E.U.A + OTAN e a Rússia e/ou China.

O Nordeste abriga um dos centros de lançamento aeroespacial mais bem localizados do mundo e faz parte também, pelo Maranhão, da Amazônia Legal que, recentemente, foi alvo de propostas de internacionalização. Assim, uma Escola de Sargentos no Grande Recife traria impactos positivos à região e atenderia à necessidade do país de distribuir seus elementos dissuasórios pelos vastos 8.510.345 km2 que devem ser protegidos à altura dos desafios que se preambulam para o século 21.

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