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Opinião
Crimes que abalaram Pernambuco

João Alberto Martins Sobral
Jornalista

Publicado em: 30/07/2021 03:00 Atualizado em: 30/07/2021 06:08

João Pessoa: O então presidente da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que tinha sico candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas, veio ao Recife no dia 26 de julho de 1930, uma sexta-feira. Visitou um amigo, o juiz Cunha Mello, que se restabelecia de cirurgia, no Hospital dos Servidores, almoçou no Leite, com Agamenon Magalhães e o usineiro Caio de Lima Cavalcanti. Depois de uma volta pelo Centro, foi tomar um café na Confeitaria A Glória, na esquina das Ruas Nova e Palma. Eram 17h30, quando o advogado e jornalista João Duarte Dantas, seu adversário político, entrou e depois de ríspida troca de palavras, deu três tiros, à queima-roupa, com um revólver 32, matando João Pessoa, diante de muita gente. A razão do crime não foi política, mas vingança. A polícia da Paraíba, a mando de João Pessoa, tinha invadido o escritório do assassino, retirando cartas íntimas trocadas com a professora Anaíde Beiriz, sua amante, que foram publicadas no jornal A União, do governo do estado. João Dantas foi preso na hora e levado para a Casa de Detenção do Recife, que ficava perto. Menos de quatro meses depois, foi vítima de chacina na sua cela, praticada por oito homens, apesar da informação oficial é que teria cometido o suicídio. Já Anaíde Beiriz, pivô da história, tentou refugiar-se no Abrigo Bom Pastor, onde chegou morta, depois de ter ingerido veneno. O corpo de João Pessoa foi levado para João Pessoa, onde foi embalsamado e seguiu de navio para ser enterrado no Rio de Janeiro. Em vários portos recebeu homenagens. Foi enterrado no dia 8 de agosto, no Cemitério São João Batista. Logo depois da sua morte, a capital da Paraíba, que se chamava “Parahyba”, ganhou o nome de  João Pessoa. E o estado adotou a bandeira vermelha e preta com o termo Nego, representando o luto e a luta.

Chico Alicate: O deputado federal Ney Maranhão no dia 28 de janeiro de 1958, depois da apresentação de um musical na Festa da Mocidade, saiu com as famosas vedetes Anilsa Leoni e Lia Mara para jantar, num restaurante de Boa Viagem. Estava em companhia de Manoel Correia de Paula, ex-prefeito de Moreno, o Zinho Correia, que marcou época no Recife, com a boate Rosa Amarela, o bar Canavial e o restaurante Mourisco, em Olinda. Ao passar em frente a então Rodoviária do Recife, no Cais de Santa Rita, seu carrão foi trancado por um caminhão de carga. Deu tiros nos pneus, dizendo que iria chamar a Radio Patrulha. O motorista Francisco Nunes, conhecido como Chico Alicate, que era do Rio Grande do Norte, e muito forte, desceu e avançou contra o deputado. Sentindo-se ameaçado, Ney Maranhão deu um tiro com sua pistola 44, na perna dele, que caiu sangrando. Pegou então o motorista e levou-o para o Hospital Jayme da Fonte, o pronto socorro mais conhecido da cidade. O tiro atingiu a artéria femoral e ele não resistiu, já chegou morto. Depois, deixou as “amigas” no Hotel São Domingos e viajou para o Rio. O inquérito foi conduzido por Paulo do Couto Malta que, além de delegado de Polícia, era cronista social do Diario de Pernambuco. Edson Moury Fernandes foi seu advogado e ele acabou absolvido.

Bamba: Edvar Lemoini Silva era conhecido como “Bamba”, termo que designa alguém que é muito bom naquilo que faz, perfeito para ele. Um exímio pianista, muito querido e chamado para os grandes eventos da cidade. Muito discreto, sabia tudo de música, cheguei a entrevistá-lo na então TV Tupi. Tocava todas as noites no Côte D’Azur, uma casa noturna de sucesso na Avenida Boa Viagem, que hoje tem um edifício com aquele nome. onde sabia as preferidas dos principais clientes, que executava, sempre que eles chegavam. A minha era New York, New York. Nunca se furtava a ficar tocando depois do encerramento do seu horário, sempre recebendo boas gorjetas. Morava pertinho, no Edifício Holiday, onde apareceu morto, no dia 6 de maio de 1980. Apesar de todo o esforço da Polícia e do interesse dos amigos influentes, nunca se descobriu quem foi o assassino.

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