Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Opinião
Para sempre frevo

Ricardo Mello
Recifense, secretário municipal de Cultura

Publicado em: 21/06/2021 03:00 Atualizado em: 21/06/2021 05:57

Não se pode nem falar sobre a relação do povo recifense com a sua cultura, porque, na verdade, ela é parte integrante da persona local. Uma gente feita de cultura. A identidade do Recife tem cultura na sua própria composição. É raiz, mas ao mesmo tempo é fruto. E não daqueles que dá só nas estações, aqui tem colheita o ano inteiro. E nunca acaba. Vez ou outra, aparece novidade. Sempre, sempre, também se encontram as árvores frondosas que nunca são derrubadas.

Uma delas é o frevo. A gente pode dizer que o frevo não está nos pés da nossa gente, ele corre nas veias. Qualquer acorde desperta sorrisos e movimentos. O frevo recifense é de arrepiar. E sua mais que centenária trajetória pode ate ser contada e recontada, mas não precisa ser ensinada, porque por aqui o povo já traz no sangue uma compreensão inata, que faz pulsar e pular já na barriga. Aqui se entende desde pequeno que o frevo ... é o frevo.

É parte da vida de cada um e cada uma que teve a sorte e a felicidade de nascer ou se tornar recifense. O frevo é colorido, irreverente, insubordinado, libertário, agregador, lutador, alegre, tradicional, criativo e inovador. Faz ferver os sonhos, as saudades, faz desfilar o passado e faz andar para o futuro, a cada passo. Tantos passos. E a multidão se deixa levar. Por paixão, pelo incontrolável desejo de atender ao chamado. E quem recebe o convite, vem.

Por isso o frevo também é do Brasil, do mundo, planetário, o mais universal dos recifenses. Um patrimônio erguido na poeira, no asfalto, em rodas e cortejos. Cultuado, renovado, espalhado. De rua, de bloco, nos bairros, no centro, no passo à frente que o Paço do Frevo deu, nas gerações que a Escola de Frevo vem unindo há décadas, nas histórias que a renovada Casa do Carnaval abriga, no cuidado que o comitê de salvaguarda assegura, nas clássicas e recentes canções que a Rádio Frei Caneca canta, todos os dias, encantando e lembrando: um amor que se reafirma assim, o tempo todo, só cresce.

Evoé, o Recife é do frevo. É. E enquanto existir a cidade, enquanto existir um povo chamado recifense, o frevo vai ser essa revolução imortal, firme e cheio de vida, como um arrecife. O frevo é assim, da nossa natureza.

Apesar dos protestos, começa a Olimpíada de Tóquio
Manhã na Clube: entrevista com o Presidente da Alepe, deputado Eriberto Medeiros (PP)
Em busca por vestígios de vida em Marte
Manhã na Clube: entrevista com Carlos Mariz (Associação Brasileira de Energia Nuclear)
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco