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Opinião
Os costumes e meu avô materno

Vladimir Souza Carvalho
Membro das Academias Sergipana e Itabaianense de Letras

Publicado em: 19/06/2021 03:00 Atualizado em: 19/06/2021 06:01

Eu ouvi. Tremi nas minhas bases. Quem nascia na sexta-feira da Paixão teria de carregar o termo Paixão no nome. Ora, por trinta e cinco minutos, eu, nascido às 23h25 da quinta-feira maior, escapei. Mamãe me garantiu que não permitiria. Sosseguei, apesar de já carregar mais de cinquenta anos de nascido. O costume vinha de geração em geração, e por trinta e cinco minutos, não me marcou no nome, que teria de carregar pelo resto da vida e da morte.

Esses costumes são danados, porque se enraízam na mente das pessoas, mantendo-se firme de geração em geração. Foi um desses que vi no papel, no meu tempo de juiz de direito, ao receber ofício do tribunal eleitoral me pedindo explicações para o fato de, em um termo da comarca, ter se constatado a presença, como eleitoras, de quatro mulheres, com o mesmo nome, filhas da mesma mãe do mesmo pai, apresentando, de diferente, apenas, a data de nascimento. E o fato ali, no cartório eleitoral, ao meu lado, bem debaixo do meu nariz, e eu sem vê-lo.  

Fui às apurações. O fato era sumamente verdadeiro. Quatro irmãs, o mesmo nome, por uma razão singela: todas nasceram com o cordão umbilical enlaçado no pescoço, parto ocorrido na própria casa materna, sob o comando técnico de competente parteira. Como ainda não tinham casado, mantinham o nome de solteira, o mesmo. Nas fichas, as fotos mostravam rostos diferentes, espaço de nascimento de uma para outra de mais de um ano. Não havia eleitor com mais de um título. Prestei as informações devidas. Ufa! Aliviado. Me tranquilizei.

Já vovô Aristides registrou duas filhas com o nome de Maria (mamãe é uma delas), e, também, o nome de Ana, e, ainda, Josefa em duas, embora na última acrescentasse um outro nome, Saudalina, que, no caso, foi a única de nome composto. Os apelidos foram fazendo a distinção: Anita e Donaninha; Pequena para a segunda Maria. O sobrenome do marido selou a distinção, o Alves retirado, o Souza passando para o meio, vindo no final o novo: Passos, Lima, Carvalho e Santos. Não sei em que pensou para os repetecos. Não foi influência da tradição, que nele não tinha acesso. E se tinha era só para chá/remédio de folha de abacateiro e casca de goiabeira, ou para engessar o braço quebrado com taboca, mastruz e cinza, tudo artesanalmente amarrado.

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