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Opinião
Frevo é madeira de lei que cupim não rói

Felipe Carreras
Deputado federal (PSB)

Publicado em: 10/06/2021 03:00 Atualizado em: 10/06/2021 05:46

Quem conhece, sabe. Não existe ritmo mais envolvente, característico, cultural e democrático do que o frevo. Seja nas ladeiras de Olinda, no Recife Antigo ou em qualquer lugar espalhado pelo planeta, a música é contagiante e arrasta multidões. Nas suas letras, irreverência. Nos seus passos, história. Nas suas cores, pluralidade. O frevo é patrimônio do Recife, de Pernambuco, do Brasil, do mundo. Tanto que, em 2012, foi declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Cinco anos antes, em 2007, tinha sido reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Reconhecimentos justos e que valorizaram ainda mais esta celebração à alegria que é o frevo.

Nos últimos dias, fomos surpreendidos pela possibilidade de o frevo perder o título de Patrimônio Cultural do Brasil. Isso porque ele precisaria ter passado por um processo de revalidação em 2017, mas não o foi. O Iphan abriu uma consulta pública no dia 14 de maio com a finalidade de ouvir a população sobre o tema antes de decidir pela revalidação ou não. Retirar este título do frevo pernambucano será um dos atos mais injustos do governo federal. É não dar importância a uma das maiores expressões da cultura brasileira, que onde chega é reconhecida e admirada. Como bom pernambucano e amante do ritmo, lutarei até o fim contra esta possível decisão do Instituto. Não podemos permitir que nossa cultura sofra tamanha baixa.

O frevo é algo tão importante para a cultura do nosso Brasil, principalmente de Pernambuco, que a Prefeitura do Recife decidiu montar um museu exclusivamente com informações sobre o ritmo e sua história. O Paço do Frevo é referência sobre o assunto e recebia milhares de pessoas todos os meses antes da pandemia. O equipamento cultural de referência na difusão, promoção e pesquisa desta arte, apenas em seu primeiro ano de funcionamento (2014), recebeu mais de 120 mil visitantes.

Neste ano, também contamos com outras duas iniciativas do prefeito João Campos (PSB/PE) que merecem destaque: o Projeto de Lei do Patrimônio Vivo municipal, que pretende reconhecer os grandes artistas da cidade, e o Programa MOVE, cujo objetivo é valorizar a cultura local, revitalizando os equipamentos culturais fechados por ocasião da pandemia, para que possam, gradativamente, reabrir para o público. Os primeiros espaços contemplados pelo MOVE serão a Casa do Carnaval, que já possui mais de 30 anos de existência, e a Escola de Frevo Maestro Fernando Borges, totalizando um investimento de R$ 500 mil.

Todas as iniciativas no sentido de promoção e preservação do frevo são bem-vindas e necessárias tendo em vista sua importância histórica, cultural e social. Por isso, em nome da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento, nos juntamos a milhões de brasileiros no apelo para que o frevo tenha o título de Patrimônio Cultural revalidado pelo Iphan.

Por fim, quero relembrar aqui três frevos que, certamente, compõem o repertório de memórias de todo brasileiro e que são muito significativos desta arte. Vassourinhas, provavelmente o frevo mais conhecido de todos os tempos. O Hino da Pitombeira de Olinda, que se transformou em uma das músicas mais tocadas no Brasil. E Madeira que Cupim Não Rói, de Capiba, que bem poderia ter sido escrito para este momento de renovar o reconhecimento ao frevo pernambucano, pois não há melhor modo de dizer: “Queiram ou não queiram os juízes, o nosso bloco é de fato campeão. E se aqui estamos, cantando esta canção, viemos defender a nossa tradição e dizer bem alto que a injustiça dói. Nós somos madeira de lei que cupim não rói”. Viva o frevo!

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