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Opinião
Fabio Hazin - estrelando Pernambuco

Jacques Ribemboim
Professor Titular da UFRPE

Publicado em: 09/06/2021 03:00 Atualizado em: 09/06/2021 04:56

Que perda terrível essa! Para a família, para os amigos, para o Brasil. Ainda sem querer acreditar, deparo-me com a triste notícia. Evanescem-me as palavras, embarga-me a voz, porém as lembranças e a saudade seguem firmes, com Fabio Hazin no auge de sua carreira, sempre sorridente, solícito e dedicado. Como descrever este gigante moral e intelectual? O Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE nunca mais será o mesmo, mas seus colegas saberão dar continuidade à excelência do ensino e da pesquisa que caracterizam o órgão.

Seu Currículo Lattes informa uma fração da sua produção intelectual. Duzentos e dezoito artigos em revistas científicas, trezentas e setenta e duas apresentações em congressos, muitas publicações em parceria com colegas e alunos. Isso tudo afora as centenas de orientações de alunos em monografias, dissertações e teses doutorais. A monumentalidade da sua obra é simplesmente incomensurável.

Como se não bastasse sua performance científica, Fábio era um amante das artes, da literatura, das línguas. Escreveu contos e poesias. Dominava o inglês, o francês e o espanhol. As Nações Unidas reconheceram seu valor e nomearam-no para altos cargos na instituição. Foi presidente do comitê de pesca da FAO e presidente da Comissão Internacional para Conservação do Atum Atlântico - ICATT. Por sua vez, aqui no Brasil, foi secretário Nacional da Pesca, ministro interino da pasta de Pesca, presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Pesca e diretor do Departamento de Pesca e Aquicultura da UFRPE.

Em Pernambuco, tornou-se conhecido do grande público por suas entrevistas na televisão, respondendo questões relacionadas a ataques de tubarão, assunto de especial relevância para o estado. Os elasmobrânquios eram sua especialidade, porém os que lhe eram próximos sabiam da grande amplitude de suas pesquisas, abrangendo diversos outros representantes da fauna marinha, principalmente os atuns e afins.

Engenheiro de pesca, com os títulos de Mestre e Doutor em Ciências Marinhas pela Tokyo University of Fisheries, com pós-doutorado no Centro de Ciências Pesqueiras da Flórida. De meu amigo Fábio, consegui em certa ocasião, a honra de tê-lo assinando uma das orelhas do meu livro, Economia da Pesca Sustentável no Brasil (Recife, Ed. Bagaço, 2010).

Nós pernambucanos às vezes demoramos para nos darmos conta de nossos verdadeiros grandes nomes. Cientistas ilustres e autênticos que merecem todo respeito e deferência, não como alguns canastrões que se encontram por aí, à cata de holofotes. A população precisa saber quem foi o professor Fabio Hazin e a dimensão de seu legado.

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