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Opinião
Bóris Trindade, advogado

Eduardo Trindade
Advogado

Publicado em: 07/06/2021 03:00 Atualizado em: 07/06/2021 04:22

Era assim que meu pai, Bóris Trindade, costumava se intitular: advogado, ponto.

Quando o convidavam para uma palestra e pediam o currículo dele, ele mandava assim: Bóris Trindade, advogado.

E quando insistiam pedindo os títulos, medalhas e quejandos, ele dizia com muito orgulho: sou só advogado!

Exercia o nobre munus com a empolgação de um principiante, mas com o saber de um advogado experiente e extremamente atualizado. Vibrava com o êxito das teses que criava. Não tinha alegria maior do que obter um Alvará de Soltura, que era o “amor” dele no livro que escreveu.

Foi um árduo defensor da liberdade, das garantias individuais e do Estado Democrático de Direito, tendo atuado com firmeza na defesa de presos politicos nos “tempos de chumbo”, deixando seu nome cravado, com relevância, na história da advocacia nacional.

Dotado de inteligência privilegiada e raciocínio rápido, tinha uma capacidade impressionante de diagnosticar os problemas dos processos e encontrar a melhor solução para as causas.

Tinha um gosto intenso pela leitura e por isso mesmo possuía uma cultura literária invejável.

Suas peças, além de serem escritas com um português irretocável, eram leves e agradáveis de se ler, objetivas a não mais poder e sempre com algum toque de cultura literária e de humor inteligente.  

Sem dúvida alguma, ele estava no rol da seleta galeria dos gênios da advocacia. Vai fazer falta ao mundo jurídico, mas deixou um exemplo a ser seguido pelas novas gerações.

Quem teve o privilegio de conviver com ele ou ao menos de vê-lo atuando, é testemunha do que estou contando.

Com ele aprendi o meu ofício e acima de tudo a amar o que faço. Aprendi que advocacia se exerce com ética, com coragem, com paixão, com dedicação, com inteligência e criatividade. Aprendi a ter orgulho de ser advogado!

Vez por outra, contando suas histórias, ele costumava dizer: “meu filho, quando eu morrer, escreva na minha lápide “Bóris Trindade, advogado.”

Sua vontade será feita. Mas se minha mãe e irmãos permitirem, acrescentaria: Bóris Trindade, advogado e pai.

Sobre Bóris, o pai, com a objetividade dele, posso dizer que foi “o Pai”, ponto.

Agradeço a Deus o privilégio de ter tido ele como pai e pelo tempo de convívio que nos foi permitido, mas confesso que queria mais.

Todavia, aceito os desígnios de Deus.  Agora ficam as boas lembranças e as histórias, que ele tanto gostava de contar, para as próximas gerações.

A missão dele aqui nesse plano foi cumprida, com êxito.  Que descansem em paz “o pai” e “o advogado” Bóris Trindade.

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