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Opinião
Ascensão e queda de Pernambuco

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 19/06/2021 03:00 Atualizado em: 19/06/2021 06:01

Esta semana, a publicação do Banco Mundial Doing Business Subnacional Brasil 2021 surpreendeu a muitos. Nela, Pernambuco aparece como o pior estado para se fazer negócios no Brasil. Considerando que a posição do país já é muito ruim quando se compara com as demais nações do mundo, percebe-se que a vida dos empresários é bem difícil aqui no nosso estado. Não é à toa que desde 2014 a economia de Pernambuco vem caindo pelas tabelas. A massa de rendimentos de todos os trabalhos no estado representava 3,47% do total nacional naquele ano e desde então só fez cair, atingindo 2,63% em 2020. Comparando-se à soma dos estados do Nordeste essa proporção caiu de 21,27% para 17,52% nesse período.

Os indicadores utilizados pelo Banco Mundial medem facilidade para: (i) abrir uma empresa; (ii) obter alvará de construção; (iii) registrar propriedades; (iv) pagar impostos e (v) executar contratos. Empresários que atuam aqui bem sabem que essas sequer são as suas maiores dores de cabeça e que fazer negócios em Pernambuco é ainda mais complicado do que indica o relatório do Banco Mundial. O funcionamento da Justiça, principalmente a Justiça do Trabalho, juntamente com as excessivas penalizações impostas pelo fisco nos três níveis: federal, estadual e municipal estão, de fato, entre os principais desafios do mundo empresarial. Infelizmente, aqui em Pernambuco existia e ainda existe uma ideologia que parte do pressuposto de que todo empresário é bandido até que se prove o contrário. Na cabeça dos seus defensores, mesmo que as empresas consigam provar o contrário, ainda assim, sempre acham que essas provas não merecem credibilidade. Possuem a sua própria versão de negacionismo.

Essa ideologia, que pensa que é de esquerda, foi fomentada dentro dos cursos superiores que formam a maioria dos gestores públicos, nas principais universidades do estado. Quando professor de Economia da UFPE, assisti a estudantes aplaudirem de pé discursos (supostas palestras) de referências profissionais locais dentro dessa lógica de criminalização e defesa “de um certo terrorismo” contra os empresários. Eram cenas semelhantes ao que se assiste atualmente, quando se juntam as hordas Bolsonaristas, sempre fanáticas e destilando ódio e violência, assim como as figuras contempladas por Dante, quando atinge o Vale do Rio Flegetonte, no sétimo círculo do Inferno, na sua Divina Comédia.

Em todo o Brasil, e em Pernambuco não é diferente, o poder dos servidores públicos aumentou muito nas últimas três décadas. Ao longo desse período, o Poder Executivo foi tomado paulatinamente por essa ideologia antiempresário. As posições estratégicas de comando vêm sendo, progressivamente, ocupadas por pessoas que amadureceram como profissionais nutridos por essa ideologia. Aos poucos, Pernambuco está sendo asfixiado por ela. Aqui, os empresários, cada vez mais, são forçados a enfrentar as decisões de um setor público que mais parece a 5ª e a 6ª Bolgias do oitavo círculo do Inferno, da Divina Comédia. Não é de se estranhar que tenhamos atingido a lanterna apresentada pelo Banco Mundial.

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